Em Alcácer do Sal os apoios ainda tardam
Paulo Raimundo deslocou-se no domingo, 12, a Alcácer do Sal, um dos concelhos severamente afectados pelas sucessivas intempéries, onde realizou encontros com entidades e “reabriu” o Centro de Trabalho do PCP.
Os apoios do Governo, insuficientes, tardam em chegar
Perante as devastadoras consequências das sucessivas intempéries e inundações que afectaram o concelho de Alcácer do Sal, o PCP expressou desde a primeira hora a sua solidariedade à população do concelho, valorizando a resposta e o empenho no apoio prestado pelos trabalhadores e voluntários de diversas entidades e proveniências.
Naqueles dias difíceis também os comunistas e os aliados da CDU andaram no terreno, envolvendo-se nas diversas expressões de entreajuda e solidariedade para fazer face à situação. Solidariedade que se saudou, mas que não pode substituir a resposta que se impõe por parte do Governo e que tarda a chegar ao concelho: dos 80 milhões de prejuízos municipais, o Governo apenas se comprometeu com 2,1 milhões. Das centenas de pessoas e empresas afectadas multiplicam-se os relatos de que ainda não lhes chegou qualquer apoio.
Perante esta realidade, o PS, na Câmara Municipal, revela uma gritante incapacidade de dar resposta à situação e não reivindica do Governo, como se impõe, as soluções que tardam.
Foi neste quadro que o Secretário-Geral do PCP visitou o concelho. A manhã começou com uma visita à Associação Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos do Concelho de Alcácer do Sal (AURPICAS), onde se viu o impressivo impacto da força das águas nas instalações do lar e centro de dia desta associação. Os prejuízos ascendem a mais de 1 milhão de euros, sendo que do Estado central foram apenas garantidos até ao momento 72 mil euros. Perante a destruição também se constatou o esforço abnegado dos trabalhadores e da direcção da associação para retomar o seu normal funcionamento.
Ao final da manhã realizou-se um encontro com os Bombeiros Mistos de Alcácer do Sal e visita às suas instalações, onde se valorizou a resposta dada pelos bombeiros e se ouviu de viva voz os desafios que houve que enfrentar, também aqui com meios muito aquém dos que seriam necessários.
CT reaberto
De seguida, Paulo Raimundo dirigiu-se ao Centro de Trabalho do Partido, que também foi severamente afectado pelas cheias. À chegada foi calorosamente recebido por camaradas e amigos e hasteou a bandeira do PCP, que marcou a reabertura do CT após as limpezas e reparações dos últimos meses. No seu interior, a água chegou aos 2,3 metros e do seu recheio pouco se conseguiu recuperar.
Só graças ao trabalho militante de camaradas e amigos do Partido foi possível limpar, pintar, arranjar o sistema eléctrico, as portas e a cobertura do pátio, mobilar, decorar, entre tantas outras tarefas que foi preciso cumprir «sempre feitas em colectivo, com alegria e confiança», como afirmou Tomás Simãozinho, da Direcção da Organização Regional do Litoral Alentejano do PCP. Depois de «tantos dias de trabalho», acrescentou, «é com o peito a rebentar de alegria que aqui estamos no Centro de Trabalho de Alcácer do Sal, casa aberta aos trabalhadores e à população do concelho».
Na sua intervenção, o Secretário-Geral afirmou que «só um Partido enraizado neste povo, que se uniu ombro a ombro para enfrentar esta situação, conseguia levar por diante tudo o que se fez para garantir a reabertura deste Centro de Trabalho». Ambos fizeram referência ao mural pintado numa das paredes e que com uma frase sintetizou o sentimento que atravessou esta iniciativa: «há sempre alguém que resiste!»




