O que se exige é uma política alternativa!
Salários e pensões cada vez mais curtos face ao aumento do custo de vida. Horários de trabalho longos e desregulados. Tentativa de imposição do pacote laboral. Desmantelamento do SNS. Crise na habitação. Degradação dos transportes. Desinvestimento na educação. Ataques à Segurança Social…
A lista é longa, mas tem algo em comum: a política de direita do Governo PSD/CDS, apoiada por CH e IL, com a conivência do PS, que serve os interesses e a acumulação de crescentes lucros pelo grande capital. Este é o caminho que é preciso inverter. E há alternativa!
Nem todos se podem queixar da política do Governo: o grande capital ganha, e muito, com ela
DALL-E 3
A guerra dos EUA e Israel contra o Irão, iniciada a 28 de Fevereiro, é a razão – e, sobretudo, o pretexto – para a escalada de preços: dos combustíveis, primeiro, e depois de todo um vasto conjunto de bens e serviços essenciais, dos alimentos às taxas e comissões bancárias. A vida, que já não estava fácil para a grande maioria do povo, está a agravar-se.
Mas nem todos têm razões de queixa. Há uma ínfima minoria que, nesta como noutras “crises” (da troika à pandemia…), sai a ganhar – e muito. Em 2025, e à medida que se degradavam as condições de vida para a generalidade da população, os principais grupos económicos brindavam ao ano “extraordinário”, com lucros nunca antes vistos: assentes na exploração de quem trabalha, no domínio monopolista e na imposição de preços cada vez mais insuportáveis. Esta tendência deverá agravar-se em 2026, marcado já pelo maior agravamento do preço dos combustíveis de há décadas a esta parte.
Mas a guerra – que o Governo PSD/CDS, o Chega e a IL apoiam – não explica tudo. A gasolina e o gasóleo que estão hoje a ser vendidos em Portugal foram na quase totalidade adquiridos antes do início dos ataques, mas os custos de venda já reflectem o recente agravamento do preço do petróleo nos mercados internacionais, provocado pelo conflito. Esse excedente ajudará a explicar os lucros ainda maiores que as petrolíferas já se preparam para apresentar. Cá estaremos para verificar que assim será. O mesmo acontecerá com outros sectores: a grande distribuição alimentar, a banca e, claro, a indústria do armamento.
O que tem isto a ver com a política do Governo e dos que, assumida ou envergonhadamente, a apoiam? Tudo! Confrontados com a proposta do PCP de fixar e reduzir preços dos combustíveis, do crédito, da electricidade, dos alimentos, todos – PSD, CDS, IL, CH e PS – se opuseram, permitindo que um punhado de grupos económicos continue a lucrar com as nossas dificuldades. Ao limitarem a questão à fiscalidade e recusarem mexer nas margens de lucro, a descida dos impostos não garante a descida dos preços. Ou seja, o Estado perde receita fiscal, as pessoas pagam mais e só o grande capital ganha: um belo resumo da política de direita.
Dificuldades para muitos, negócio para uns quantos
Como tem denunciado Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP, o Governo faz de cada problema uma oportunidade de negócio para os grupos económicos.
De facto, ao invés de reforçar o investimento público em áreas como a saúde e os transportes, o Governo avança com novas privatizações, concessões e PPP. Não resolve um único problema, à excepção dos balancetes financeiros dos grupos a quem entrega importantes serviços públicos. Em vez de defender a produção nacional e o interesse público, procede à criminosa privatização da TAP e, depois do desmantelamento da CP, prepara-se para privatizar as suas linhas mais rentáveis.
No caso da saúde, acumulam-se as listas de espera para consultas, exames e cirurgias, encerram-se urgências, cresce o número de utentes sem médico de família e continuam sem avançar hospitais públicos há muito prometidos. O Governo, com os aliados do costume, não avança para a contratação dos profissionais em falta, mas facilita a transferência de doentes e recursos para o privado.
Na habitação, cada medida do Governo põe mais gente sem casa e abre ainda mais campo à especulação e ao aumento dos lucros da banca e dos fundos de investimento. Na Segurança Social, ambiciona-se, à boleia da UE, colocar os descontos dos trabalhadores à mercê dos fundos privados e da roleta especulativa. No ensino, faltam professores, psicólogos e funcionários não docentes nas escolas, que estão degradadas às centenas, e agrava-se a elitização do ensino superior.
Travar a loucura militarista e a vergonhosa submissão!
Para além do que não faz para proteger os trabalhadores e o povo dos efeitos da guerra no aumento do custo de vida, o Governo PSD/CDS (e, uma vez mais, o Chega e a IL) assume também uma postura subserviente face à política militarista e agressiva dos EUA, tornando-se assim cúmplice de mais esta guerra ilegal e ilegítima e das consequências que daí advirão. A cedência da Base das Lajes no contexto da agressão contra o Irão é mais uma demonstração da vergonhosa subserviência do Governo.
A escalada da guerra e do militarismo arrasta consigo a morte, a destruição e a rapina de recursos naturais, ao mesmo tempo que alimenta o negócio das armas e a especulação. O Governo, qualquer que seja, está obrigado pela Constituição da República Portuguesa a desenvolver uma política externa independente, que defenda a paz e a cooperação entre povos.
O pacote laboral
As alterações à legislação laboral – conhecidas por pacote laboral – que o Governo quer fazer aprovar mantêm tudo o que de negativo já se encontra na lei e procuram introduzir elementos que agravam ainda mais a situação dos trabalhadores, designadamente
entre outros:
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despedimentos sem justa causa;
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promoção da precariedade, nomeadamente com a facilitação do outsourcing;
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ainda maior desregulação dos horários de trabalho, designadamente através do banco de horas individual;
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fragilização dos direitos de maternidade e paternidade, sobretudo com a intenção de que os pais com filhos menores de 12 anos e com deficiência possam ser obrigados a trabalho nocturno, ao fim-de-semana e aos feriados;
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facilitação da liquidação da contratação colectiva; limitação do direito à greve e dos direitos de organização sindical.
“Embrulho” para os lucros do grande capital e objectivo do Governo, o pacote laboral já foi rejeitado em inúmeras acções de luta, como a greve geral ou a manifestação de dia 17 (ver págs. 16, 17 e 18). Continuar e alargar a luta é o que se exige para o derrotar definitivamente!
A factura
2.204.252
Número de trabalhadores que, em Janeiro, receberam até mil euros de salário (dados da Segurança Social sobre a remuneração base).
697,50 €
Valor médio das pensões de velhice do regime geral em Fevereiro (dados da Segurança Social). Entre os homens, o valor foi de 876,49 euros, enquanto nas mulheres foi de apenas 533,02. A política de pensões de miséria, particularmente em algumas das franjas mais desprotegidas da população, faz-se notar, também, nos valores médios das pensões de sobrevivência (357,16 euros) e de invalidez (535,50) do regime geral.
40,7%
Percentagem da população em risco de pobreza, em 2024, não fossem as transferências sociais. Mesmo com estas, aponta o INE, 15,4% da população estava em risco de pobreza, situação que afectava 8,6% da população empregada. Mesmo com apoios e emprego, com esta política, a pobreza está sempre ao virar da esquina.
5,75%
Variação média nos 12 meses anteriores do índice de preços no consumidor dos produtos alimentares não transformados (frutas, carne, peixe…), em Março. Desde o início do ano, as variações mensais têm sido sempre acima dos 5%. Mais um dos muitos exemplos do aumento dos preços de bens e serviços essenciais.
109,85 €
Preço pago para abastecer um depósito a gasóleo de 50 litros. Desde segunda-feira, e já com as medidas “milagrosas” do Governo, o litro de gasóleo simples continua a custar 2,197 euros (valor médio divulgado pela DGEG).
5000 €/m2
Patamar ultrapassado no ano passado, pela primeira vez, do custo por metro quadrado de uma casa em Lisboa. O preço por metro quadrado num empreendimento em construção no centro de Lisboa está estimado em mais de 20 mil euros.
1.563.710
Número de utentes sem médico de família no final de Dezembro de 2025 (dados do portal da transparência do SNS). Ao mesmo tempo, desde 2011, o número de vagas abertas no internato médico é superior ao de vagas preenchidas (no ano passado, houve 2190 abertas e apenas 1915 preenchidas).
37,5 horas e 77%
Respectivamente, o horário médio de trabalho semanal em Portugal e a percentagem da produtividade do trabalho por pessoa empregada no País em relação à média na UE (dados do Eurostat em 2024). Em termos de comparação, em Espanha trabalha-se, em média, 36,4 horas, e a produtividade é de 97,7%. Em França, 35,8 horas e 107%. Na Alemanha, 34 horas e 102,1%… Nota-se que, ao contrário do que as forças da política de direita (e o grande capital a que servem) apregoam, a produtividade do trabalho não aumenta com o número de horas trabalhadas.
28,4%
Aumento do número de alunos sem professor a, pelo menos, uma disciplina, em relação a 2025. A percentagem foi anunciada pela FENPROF no início de Fevereiro. A federação estimou que a falta de profissionais tenha afectado mais de 158 mil estudantes durante o mês de Janeiro.
-12%
Redução do número de candidatos colocados na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior no presente ano lectivo (dados do Ministério da Educação). Em concreto, houve menos 6064 estudantes colocados. Quanto aos inscritos, existiu uma redução do número de novos matriculados, de 83.800 em 2024/25 para 75.890 em 2025/26, representando uma quebra de 10%. As explicações são várias, e passam tanto pelo método de acesso (que dá uma centralidade desmesurada aos exames nacionais) quanto pelos custos associados à frequência da faculdade.
9%
Proporção dos mais de 175 mil estudantes deslocados no ensino superior que têm direito a uma das cerca de 15 mil camas em residências públicas – dados disponibilizados por fontes oficiais e que confirmam a falta de execução do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior.
2,72%
Investimento público em Portugal calculado em percentagem do PIB (em 2024). Segundo o Eurostat, no período de 10 anos considerado (2014-2024), o valor foi sempre inferior à percentagem média na UE (que foi, em 2024, de 3,68%). Esta é uma das mais importantes causas para a degradação das infra-estruturas e serviços públicos (SNS, escolas, transportes…).
1.900.000
Número aproximado de trabalhadores por conta de outrem em Portugal que trabalhavam por turnos, ao serão, à noite, ao sábado ou ao domingo, ou numa combinação destes tipos de horários, em 2025, correspondendo a 43% dos assalariados (dados da CGTP-IN).
57%
Taxa de jovens trabalhadores (até 24 anos) que possuem um contrato temporário, bastante acima dos 14% que correspondem aos trabalhadores acima desta idade, e cerca de 10 p.p. acima dos valores da UE (dados do Pordata).
Além destes, são muitos mais os números que representam as dificuldades dos trabalhadores e do povo, que se vêem confrontados com uma política oposta aos seus interesses.
A fartura
5.226.900.000 €
Soma aproximada dos lucros dos maiores bancos em Portugal – CGD, BCP, Santander, BPI e Novo Banco – em 2025. Simultaneamente, comissões, juros e taxas esmagam amplos sectores da sociedade.
1.154.000.000 €
Valor dos lucros alcançados pela Galp em 2025. Foi o maior resultado líquido de sempre da petrolífera.
893 milhões €
São os lucros combinados dos grupos Jerónimo Martins (646 milhões) e Sonae (247 milhões), do sector da grande distribuição, o que representa um aumento significativo face ao ano anterior.
1900 milhões €
Valor dos benefícios fiscais atribuídos em sede de Orçamento do Estado, redução do IRC, que beneficia os grupos económicos.
50%
É a proporção de despesas gerais do Orçamento do SNS que é desviado para os grupos económicos privados do sector.
Apenas alguns dos muitos exemplos do quanto lucra o grande capital, representado por forças que defendem os seus interesses e com uma política de direita (do actual Governo, mas não só) que favorece a sua gula.
A alternativa
Importa, assim, desenvolver uma intensa e determinada acção não só de resistência à política de direita, mas, tomando a iniciativa, afirmar uma perspectiva política diferente, verdadeiramente alternativa, e levá-la à compreensão e assimilação pelas massas: a luta pela alternativa patriótica e de esquerda, que rompa com a política de direita e coloque no centro da vida política os interesses dos trabalhadores e do povo.
Política patriótica e de esquerda que coloca como objectivos essenciais:
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valorizar o trabalho e os trabalhadores;
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assegurar o bem-estar e uma Administração Pública e serviços públicos ao serviço do povo;
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promover o desenvolvimento económico geral;
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assegurar um País coeso e equilibrado e a preservação da Natureza;
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reforçar a democracia;
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recuperar instrumentos de soberania e afirmar a independência nacional;
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promover a cooperação internacional e a paz.
A construção da alternativa política patriótica e de esquerda, que tem em Abril, nos seus valores e conquistas, a sua principal referência, é um caminho que exige, de forma articulada e dialéctica: o desenvolvimento da luta, a participação das massas, o fortalecimento da organização dos trabalhadores e das massas populares e a convergência de democratas e patriotas em torno desse objectivo mobilizador.
Um caminho que é inseparável do reforço e da afirmação do PCP – força indispensável e insubstituível -, do seu projecto distintivo, propostas e valores.




