1941 – Soeiro Pereira Gomes publica “Esteiros”
«Aos filhos dos homens que nunca foram meninos»: é esta a dedicatória do livro “Esteiros”, de Soeiro Pereira Gomes, publicado pela primeira vez em 1941, com desenhos originais de Álvaro Cunhal, já então na clandestinidade. A obra, marcada por uma denúncia certeira da miséria e da injustiça social, conta a história de crianças pobres que abandonam muito cedo a escola e vão trabalhar numa fábrica de tijolos. É, ao nível da literatura, um dos primeiros – e dos mais elogiados – títulos do neo-realismo português.
Nascido no concelho de Baião, distrito do Porto, Soeiro Pereira Gomes passou a infância em Espinho, estudou em Coimbra, trabalhou em Angola por um curto período e fixou-se em Alhandra, para trabalhar numa fábrica de cimento. Aí não só encontrou inspiração para a sua obra, como consolidou a sua consciência política e social, envolveu-se no rico movimento cultural e político local e aderiu ao PCP.
O seu crescente envolvimento político levou-o a passar à clandestinidade em 1945, conseguindo conciliar a exigência da resistência antifascista com a produção literária, quase toda publicada após a sua morte prematura, em 1949, de doença pulmonar. Para além de Esteiros, escreveu ainda Engrenagem, obra inacabada e não revista pelo autor, dedicada «Aos trabalhadores desempregados, rodas paradas de uma engrenagem caduca», e vários contos, reunidos em compilações.
As Edições Avante! têm publicada toda a sua obra.




