Confiança no Partido e na luta marca Assembleia de Coimbra

A luta e intervenção do Partido, dos trabalhadores e das populações ocupou, no sábado, 16, a tribuna da 11.ª Assembleia da Organização Regional de Coimbra (AORC) do PCP, realizada na capital de distrito.

Aposta em modelo de baixos salários na região tem de ser combatida

«Organização, luta e confiança» foi o lema da Assembleia, que reuniu cerca de 200 militantes, entre delegados e convidados, no Centro Social Polivalente da Palheira.

Entre esta e a anterior Assembleia, «foi evidente o aprofundamento das consequências da política de direita», com mais desigualdades sociais e territoriais, destacou Vladimiro Vale, dos organismos executivos do Comité Central (CC), na intervenção de abertura.

O responsável pela organização regional lembrou que, num distrito onde o poder de compra se situa 6,15 por cento abaixo da média nacional, o grande capital aposta num modelo de baixos salários, acompanhado da destruição do aparelho produtivo.

Vladimiro Vale comentou, igualmente, o quadro institucional, cada vez «mais favorável» ao grande capital, ao aprofundamento da política de direita, ao agravamento da exploração e a novos retrocessos «no campo dos direitos».

«O que faz falta é…»

Na intervenção de encerramento, Paulo Raimundo pôs um foco particular no objectivo do reforço do Partido definido na Resolução do CC Um PCP mais forte. É preciso! É possível! (ver caixa) e analisou a situação política na região e no País.

«Ainda hoje, depois das intempéries, milhares de pessoas, também aqui no distrito estão à espera que se cumpram as promessas que foram feitas, dos apoios que iam ser rápidos e que ainda falta chegar», frisou.

No entender do Secretário-Geral, «o que é preciso, e o que faz falta, é coragem» para enfrentar o grande capital e a política de direita que está ao seu serviço, tanto na resposta aos efeitos das tempestades, como em muitas outras áreas.

«O que faz falta é avançar na habitação pública, cultura e transportes. Aumentar as pensões. Apoiar a produção nacional. Criar e distribuir a riqueza», sublinhou.

«Milhares e milhares»

Retomando alguns dos pontos-chave já enunciados nas intervenções realizadas pelos delegados ao longo do dia (ver caixa), Paulo Raimundo denunciou a ofensiva sobre os trabalhadores representada pelo pacote laboral do Governo e do patronato – em aliança com Chega e IL.

Perante a realidade do País, garantiu, onde são «milhares e milhares de trabalhadores que vivem com mês a mais para os seus salários», o grande capital e as forças que o servem decidiram enveredar por mais um ataque – que, frisou, terá uma resposta à altura com a greve geral de 3 de Junho (ver págs. 4 a 7).

AORC aprova Resolução Política

Na sessão de encerramento, foi eleita a nova Direcção da Organização Regional – por maioria, com 11 abstenções – e aprovada a Resolução Política – com uma abstenção.

O documento caracteriza a situação económica e social do distrito (em áreas como as empresas, a habitação ou os transportes), faz um relatório das actividades do Partido desde 2022 (ano da 10.ª AORC) e aponta medidas para o reforço do PCP (abordando matérias como o recrutamento, a Festa do Avante!, o trabalho de direcção ou a organização por empresa e local de trabalho).

Na proposta de Resolução, a comissão de redacção acolheu não só alterações propostas pelos militantes em dezenas de reuniões, como as modificações sugeridas pelos delegados durante todo o dia.

  

Reforço «a partir do Partido que temos»

Na sua intervenção, Paulo Raimundo considerou que os comunistas saem da Assembleia «com uma enorme encomenda às costas», mas, também, «mais reforçados e melhor preparados» para responder às novas tarefas.

No entender do Secretário-Geral, é necessário reforçar o PCP «a partir do Partido que temos», não do que tivemos ou queremos ter.

«Onde somos, onde estamos e, acima de tudo, onde precisamos estar e como é que vamos organizar para estar onde precisamos estar. Qual é a intervenção? Qual é a iniciativa das organizações? O que é que é preciso fazer para ir mais longe? Reforçar o Partido onde ele nasceu e nunca, nunca, pode deixar de estar. Porque, senão é outra coisa qualquer. Reforçar o Partido onde ele nasceu – nas empresas, nos locais de trabalho, junto dos trabalhadores», avaliou.

Soluções já estão em andamento

O Partido tem, na região, 1681 militantes. Existem, 109 organismos, mas apenas 20 são células, núcleos de célula ou direcções de sectores profissionais (que integram 280 comunistas). Os dados revelam, portanto, que há ainda um longo caminho de potencialidades para o reforço da organização junto da classe operária e demais trabalhadores.

Algumas, como frisou Vladimiro Vale na sua alocução, já se traduziram em soluções concretas na preparação da Assembleia, de que são exemplos a definição de empresas prioritárias, a adequação da célula do Hospital Universitário à nova realidade da ULS e a eleição da direcção do Sector de Empresas de Coimbra – importante sector que coexiste com os organismos de empresas na Figueira da Foz e em Cantanhede.

Os comunistas do distrito tomaram, ainda, medidas para melhorar o funcionamento dos 15 organismos para a actividade sindical na região (havendo já a perspectiva de acrescentar mais um) e perspectivam intensificar o trabalho junto de quadros técnicos, empresas tecnológicas e sector dos resíduos.

No processo preparatório da AORC, foram eleitas três comissões concelhias e decidiu-se realizar, nos próximos tempos, 10 assembleias de organização (quatro das quais já com data marcada).

 

A região sobe à tribuna

No decorrer da Assembleia, 44 delegados deram nota dos mais variados assuntos, da ofensiva contra os serviços públicos às reivindicações de diferentes empresas.

A situação e luta dos trabalhadores – dinamizados pelos sindicatos e pela União dos Sindicatos de Coimbra – foi matéria abordada em diversas intervenções, com apelos à luta contra o pacote laboral e à participação na greve geral.

Um delegado levou a situação na Aquinos, fábrica em Tábua, onde 1200 trabalhadores têm vínculos precários e sofrem com constantes pressões, ritmos de trabalho acelerados e um regime de adaptabilidade horária que retira direitos às trabalhadoras que amamentam.

Outra oradora relatou a precariedade na grande distribuição. No Aldi, exemplificou, os trabalhadores só conhecem a escala de semana a semana, não sendo possível conciliar a sua vida profissional com a sua vida pessoal.

A intervenção nas autarquias foi abordada pelo presidente da Junta de Freguesia de Meruge, de gestão CDU, que referiu o plano estratégico da freguesia – que já levou à construção de vários equipamentos e à reabilitação de estradas. O Parque Aventuras de Entre-as-Águas, único na região, foi o exemplo mais destacado.

Numa intervenção, uma delegada falou sobre o Espaço 25, instalado no CT de Coimbra, que, desde 2022, tem vindo a albergar relevantes eventos políticos e culturais. A oradora destacou-o como um ponto de ligação à comunidade.

A luta antifascista e pela paz, a intervenção local do Partido, o movimento associativo ou a Segurança Social foram outras das muitas temáticas referenciadas na tribuna.

Sempre em defesa dos nossos direitos

Os ataques ao direito à saúde e ao SNS distrito foram elencados em diversas intervenções, tanto do ponto de vista dos trabalhadores, como dos utentes. Os problemas abordados foram muitos, desde os decorrentes da criação da ULS de Coimbra ao encerramento das urgências do Hospital dos Covões.

A defesa do acesso à água foi abordada por um delegado, que explicou como as populações de Tábua e Figueira da Foz lutam contra a privatização deste direito – que leva a que a água de Tábua seja a mais cara do País. Esta luta será, inclusive, o tema do espaço de Coimbra na Festa do Avante!, anunciou outro orador.

A agricultura, maioritariamente de pequena escala, tem sofrido fortes impactos, com os elevados custos dos factores de produção e as políticas que favorecem o grande agro-negócio. Os agricultores, frisou um delegado, lutam contra este rumo, e têm dinamizado – organizados pela ADACO – importantes acções como marchas de tractores.

Em algumas das intervenções, ficaram claros os problemas da justiça. Um dos delegados mencionou, por exemplo, a situação dos trabalhadores dos centros educativos, quase sempre a trabalhar sozinhos, com todo o risco que isso acarreta. Outra oradora mencionou o facto de a população estar há anos à espera do novo palácio de justiça em Coimbra.

O estado dos transportes foi outro dos temas debatidos. Uma delegada denunciou as opções em relação ao Ramal da Lousã, cujo encerramento levou ao abandono das populações – com a alternativa do metrobus pouco fiável e muito mais cara. Noutra intervenção, um delegado apontou para a falta de meios dos SMTUC.

A educação e a ciência, numa região com uma das mais antigas universidades do País, vivem tempos difíceis. Um delegado expôs a precariedade vivida pelos bolseiros, com “contratos” que lhes negam direitos básicos. Noutras intervenções, especialmente de membros da JCP, expuseram o grave desinvestimento no ensino, que já levou ao encerramento de escolas.

 

 



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