Faleceu José Carlos Almeida, o «preso sem nome»
Revolucionário, resistente antifascista e militante comunista, José Carlos Almeida faleceu, no dia 15, aos 94 anos – o último funcionário do PCP preso antes da Revolução, a 21 de Abril de 1974. Aos seus familiares, o Secretariado do Comité Central expressou sentidas condolências.
José Carlos Almeida nasceu a 4 de Agosto de 1931 em Encarnação, Mafra. Participou, desde jovem, no movimento democrático e no movimento associativo, tendo sido dirigente da Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal e activista no Cine-Clube de Lisboa. Em 1958 integrou a comissão de jovens da candidatura de Arlindo Vicente e, depois, da candidatura de Humberto Delgado. Teve intervenção na defesa dos direitos dos trabalhadores do Banco Totta & Açores, onde trabalhava.
Aderiu ao PCP em 1957, com 26 anos, ficando ligado ao sector bancário e passou à clandestinidade como funcionário do Partido em 1962, integrando o Comité Local de Lisboa, onde esteve até 1965. De 1965 a 1970 fez parte do Comité Local do Porto e, de 1970 e 1972, foi responsável pela Organização das Beiras.
Em 1972 passou a integrar a Direcção da Organização Regional do Norte, assumindo a responsabilidade do Comité Local do Porto. Teve papel destacado na organização da greve dos pescadores de Matosinhos e de outras localidades do Norte, em Abril e Maio de 1968, e na preparação e organização da grande manifestação contra a carestia de vida que decorreu a 15 de Abril de 1972, na cidade do Porto.
Ao longo da sua vida de revolucionário teve sempre a seu lado a sua companheira Faustina Barradas. Com ela compartilhou a vida clandestina, as agruras da repressão fascista e da prisão.
Aquando da sua última prisão, a quatro dias da Revolução, foi espancado por se recusar sequer a dizer o seu nome, ficando conhecido como o «preso sem nome». Foi libertado da cadeia do Forte de Caxias a 27 de Abril.
Em 1975, foi candidato do PCP às eleições para a Assembleia Constituinte pelo círculo eleitoral do Porto, tendo sido eleito.
Após Abril de 1974, foi membro da Direcção da Organização Regional do Norte e da Direcção da Organização Regional das Beiras. Assumiu, posteriormente, tarefas junto dos organismos executivos do Comité Central, nomeadamente na Comissão de Património Central, que desempenhou enquanto a saúde o permitiu. Desenvolveu um especial papel em todo o trabalho de preparação e funcionamento da Quinta da Atalaia.
Vida dedicada ao socialismo e comunismo
«José Carlos Almeida teve uma vida inteiramente dedicada à luta e intervenção pela emancipação dos trabalhadores e do povo, pela democracia, pela paz, pelo socialismo e o comunismo», lê-se na nota emitida pelo Partido.
No funeral, José Capucho, da Comissão Política e do Secretariado do Comité Central, salientou o exemplo de firmeza e dedicação revolucionárias que José Carlos Almeida manteve até ao fim da sua vida, recordando as palavras do próprio: «não é o Partido que nos deve algo, somos nós que devemos ao Partido a possibilidade que este nos dá de intervir, lutar e agir pelos direitos, pela melhoria das condições de vida, pela paz, pela amizade, pela felicidade do ser humano, pelo futuro socialista da nossa pátria».




