Expansão sionista no Líbano
Israel é ponta de lança do imperialismo no Médio Oriente
A avaliar pela comunicação social dominante, os destinos do mundo estariam suspensos dos humores da estranha personagem que ocupa a Casa Branca, assim escondendo que Trump não é mais que instrumento de uma estratégia que visa contrariar a decadência do sistema e o declínio da influência dos EUA no plano mundial e insinuar que a solução de situações de conflito geradas pela própria política agressiva dos EUA seria assegurada com a rendição às suas exigências.
Em torno do processo de negociações entre os EUA e o Irão, somos diariamente confrontados com confusas e contraditórias posições por parte da administração norte-americana que, derrotada nos seus propósitos iniciais e humilhada (o chanceler alemão Friedrich Merz dixit), dá a todo o tempo o dito pelo não dito, oscilando sem vergonha entre a afirmação, logo desmentida pelo Irão, da iminência de um “excelente” acordo e a ameaça de fazer desaparecer a civilização iraniana. Perante a dificuldade em encontrar uma saída que possa apresentar como “vitória”, os EUA levantam todos os dias novos obstáculos a um entendimento que abra caminho a substanciais negociações de paz, mantendo suspenso sobre o povo do Irão o cutelo de uma “acção militar demolidora” e abrindo espaço para que o governo de Netanyahu, que foge de qualquer acordo de paz como o diabo da cruz, prossiga a sua criminosa política expansionista.
É necessário não secundarizar o papel que Israel representa na estratégia de domínio imperialista do “Grande Médio Oriente”. Sem excluir a existência de divergências tácticas, a especulação mediática sobre quem manda em quem na relação EUA-Israel quanto à agressão ao Irão, não deve distrair-nos do essencial. Israel tem sido e continua a ser a principal ponta de lança do combate imperialista contra o movimento de emancipação nacional e social do mundo árabe e islâmico. A ligação imperialismo-sionismo-fascismo é umbilical. Não é possível qualquer real progresso num processo que ponha fim à agressão ao Irão, e muito menos alcançar a paz justa e duradoura no Médio Oriente a que há muito o mundo aspira, que não passe pela solução da questão nacional palestiniana (a “questão central” da criação do seu próprio estado independente e soberano) e o fim do expansionismo sionista.
Israel, que proclama abertamente o objectivo de expandir as suas fronteiras “do rio ao rio”, do Nilo ao Eufrates, tornou-se um Estado fora da lei. A acção genocida em Gaza e na Cisjordânia continua e está a estender-se ao Líbano numa inaudita operação de terror, destruição e ocupação, uma operação de terra queimada arrasando territórios para onde projecta expandir-se e conta já com dezenas de milhares de mortos e feridos e mais de um milhão de deslocados. Isto durante a farsa de um “cessar-fogo” mediado pelos EUA e perante o silêncio e a cumplicidade da UE e de governos na Europa que insistem em considerar Israel “bastião da democracia” no Médio Oriente. A sua cínica “indignação” perante a perversa exibição de Ben Gvir do tratamento dado aos activistas da flotilha não deve enganar-nos. Atirar para cima de um homem, por mais fascista e perverso que seja, aquilo que é da responsabilidade do sionismo e do imperialismo é inaceitável.




