Cruzar Arte com os Direitos da Constituição e Projectos de Saúde Comunitária
A Constituição da República Portuguesa e os direitos que consagrou servem de inspiração aos artistas
A Exposição “A Minha, a tua, a nossa Constituição da República Portuguesa”, que decorre no Espaço Memória CGTP-INi, Seixal (antiga Mundet), com obras de artistas de arte urbana e documentação diversa, vai poder ser visitada até 31 de Dezembro. Esta exposição, que é organizada pela CGTP-IN, assinala os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e tem a curadoria de Miguel Januário (designer e artista plástico que desenvolve o ±MaisMenos±, projecto artístico de intervenção política), e Silvestre Lacerda (arquivista e ex-director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo).
À entrada do espaço da antiga Mundet encontramos um mural do artista Love for Rebellion, uma intervenção que dialoga com a Constituição e com o espaço público. No espaço da exposição começamos por encontrar uma instalação com dez vídeos com o título “Dez Direitos”, «como se de um painel de memórias se tratasse, convidando o visitante a percorrê-los – seja de forma sequencial, seja num movimento livre e salteado, tal como a própria liberdade conquistada após Abril…», como refere a folha de sala.
Na sala principal encontramos dez obras de dez artistas plásticos convidados, todos ligados a projectos de arte urbana: AkaCorleone, Gonçalo Mar, Kruella D'Enfer, ±MaisMenos±, Mariana Malhão, Ruído, Tamara Alves, Third, Vhils, Wasted Rita, que tiveram como referência os dez artigos da Constituição Portuguesa já anteriormente referidos, respectivamente à maternidade e paternidade, à Segurança Social, à saúde, à resistência, à infância e à terceira idade, ao trabalho e à liberdade sindical, à igualdade, à habitação, à educação, à cultura e ao desporto, à liberdade de expressão e informação.
«Através de uma selecção de dez direitos centrais inscritos na Constituição, reinterpretados por dez artistas convidados, a exposição cruza arte, memória e intervenção, convocando uma reflexão sobre o lugar da Constituição na vida colectiva, no presente e no futuro», afirmaram os curadores da exposição. Já Vihls manifestou o orgulho de fazer parte desta exposição e afirmou: «fui convidado a dar forma ao artigo sobre educação e cultura, um tema que me é próximo e que nunca deixou de ser urgente.»
Arte e Saúde em Aljustrel
Na Biblioteca Municipal de Aljustrel Luís Amaro, esteve patente a exposição “Utopias Possíveis”, com ilustrações de Ricardo Jorge e textos de projectos de saúde comunitária. O “Encontro Saúde. Animação Comunitária e 25 de Abril – Utopias Possíveis”, já realizado em 2024 no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, organizado em Coimbra pela Casa da Esquina, Grupo ECOSOL/CES, GAC e GAF, contou com a participação de profissionais que se destacaram em processos de mudança nos cuidados de saúde no pós-25 de Abril.
Um ano depois, na vontade de assinalar o 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa, a Associação Do Fundo à Superfície, de Aljustrel, decidiu realizar o “Encontro Saúde. Animação Comunitária e 25 de Abril”, que integra uma tertúlia subordinada ao tema da Saúde e a exposição “Utopias Possíveis”, composta por 15 ilustrações de Ricardo Jorge e textos de memórias de António Cardoso Ferreira, Filipa Alves, José João Rodrigues, Maria José Cardoso Ferreira, Maria José Hespanha, Maria José Tovar, Pedro Hespanha e Rosinha Madeira.
«Utopias Possíveis pretende resgatar a memória de um período em que a acção e o pensamento se construíam da capacidade de homens e mulheres que acreditavam num mundo mais justo e humano, e que ajudaram a construir comunidades, hospitais, creches, escolas indo ao encontro das necessidades dos lugares onde tudo parecia uma miragem, dando-se origem às Comissões Locais de Saúde e ao Serviço Médico à Periferia, essenciais para a criação do Serviço Nacional de Saúde», segundo texto da organização.
Filipa Alves, da Casa da Esquina, refere ainda no catálogo que «vemos esta exposição como uma pequena mostra dessa militância por um mundo melhor e esperamos que vos sirva de inspiração para que este trabalho não fique por aqui, mas continue a construir novos e melhores futuros.»




