EUA e Israel promovem o caos no Médio Oriente

Apesar das novas violações por parte dos EUA do “Memorando de Entendimento” assinado com o Irão, os dois países prosseguem as negociações. Entretanto, no Líbano, cresce a contestação à ocupação israelita e à ingerência norte-americana.

30% dos mortos na Faixa de Gaza são crianças

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão denunciou, no domingo, 28 de Junho, os bombardeamentos norte-americanos a infraestruturas de vigilância iranianas na costa sul do país. As forças militares iranianas responderam ao ataque dos EUA visando instalações militares dos EUA na região, nomeadamente a base aérea de Ali Al Salem, no Koweit, e o quartel-general da 5.ª Frota norte-americana, no Barém.

O governo iraniano afirmou que os recentes ataques dos EUA demonstram um total desprezo pelos seus compromissos e reiterou que defenderá a soberania e integridade territorial do Irão em conformidade com a Carta da ONU.

Entretanto, à hora do fecho desta edição não era certo se as conversações técnicas previstas para esta semana, em Doha, se iriam mesmo realizar. Devido aos recentes ataques, o Irão garantiu que deslocaria uma delegação à capital do Catar apenas para verificar a concretização de medidas acordadas, sobretudo a libertação dos fundos congelados, rejeitando qualquer intenção de se reunir com representantes dos EUA.

Israel tem de retirar do Líbano
No Líbano, cresce a contestação ao denominado “Acordo-quadro trilateral” assinado a 26 de Junho, em Washington, pelos embaixadores libanês e israelita junto da ONU e pelos EUA. Trata-se de uma tentativa de norte-americanos e israelitas de separar a agressão de Israel ao Líbano do processo de negociações entre o Irão e os EUA, desrespeitando o “Memorando de Entendimento” assinado entre estes dois países.

O “acordo”, negociado entre uma parte das autoridades libanesas, Israel e os EUA, faz depender uma eventual retirada israelita do desarmamento da resistência libanesa, nomeadamente do Hezbollah, colocando apenas exigências ao Líbano. Na prática, procura perpetuar a ocupação e colocar, mais uma vez, libaneses contra libaneses – para contento de Israel. Os seus propósitos ficam evidentes nas declarações do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, para quem o dito “acordo” impediria o regresso da resistência e dos próprios residentes libaneses às suas casas e terras no sul do Líbano, ocupadas por Israel, o que é inaceitável para amplos sectores da sociedade libanesa.

De iniciativa norte-americana, o “acordo” é amplamente rejeitado no Líbano e considerado uma ameaça à soberania e à integridade territorial deste país.

Na sexta-feira, 26, tiveram lugar várias manifestações onde foi exigida a anulação do “acordo” e a retirada imediata das forças militares israelitas do território libanês.

O Partido Comunista Libanês rejeita o “acordo”, considerando que serve apenas as aspirações israelitas. O Secretário-Geral, Hanna Gharib, afirmou que «desde o início, rejeitámos o acordo de normalização referente à demarcação das fronteiras marítimas com o inimigo israelita; como, então, poderíamos submeter-nos agora a este acordo de capitulação e rendição? Não há paz com uma entidade de apartheid e genocídio. Unam-se os esforços para derrubar este acordo vergonhoso».

Desde Março, Israel já matou mais de 3500 pessoas no Líbano, tendo arrasado aldeias inteiras no sul do país e bombardeado diversas cidades.

Crimes tenebrosos de Israel na Palestina
Um relatório elaborado pela Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU sobre Território Palestiniano Ocupado, apresentado a 23 de Junho, conclui que as tropas israelitas atacam intencionalmente crianças palestinianas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Estas acções dos israelitas, refere, constituem um elemento central da sua campanha genocida.

A comissão revela que os menores de idade representam aproximadamente 30% de todos os assassinados pelas forças militares israelitas e que as mortes continuam para lá do cessar-fogo de Outubro de 2025. As atrocidades deliberadas de Israel resultaram em traumas massivos, deficiências físicas, fome e destruição deliberada dos serviços de saúde e de educação, incluindo o desmantelamento de orfanatos. As crianças enfrentam ainda detenções arbitrárias, torturas e violência sexual.

Médicos de diversos países contam histórias pormenorizadas sobre crianças palestinianos que foram atacadas deliberadamente por franco-atiradores israelitas, descrevendo um fluxo permanente de crianças feridas de bala únicas e de alto calibre especificamente na cabeça e no peito.

 



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