Palestinianos reafirmam direito à resistência

Organizações da resistência palestiniana emitiram a 2 de Julho uma declaração conjunta para assinalar 1000 dias de genocídio israelita na Faixa de Gaza, reafirmando na ocasião o direito do povo palestiniano à resistência por todas as formas contra a ocupação.

Na Faixa de Gaza, mais de 2,4 milhões de pessoas foram submetidas a genocídio, fome e expulsão das suas casas e terras durante os últimos 1000 dias

«Passaram 1000 dias desde o começo do genocídio sionista em Gaza, levado a cabo com o apoio directo da administração norte-americana e dos governos ocidentais», denunciaram as organizações palestinianas, sublinhando que o enfrentamento com o sistema colonial israelita fortemente armado não quebrou a vontade do povo palestiniano nem apagou o seu espírito de resistência.

As organizações de resistência palestiniana manifestaram a sua firme rejeição a qualquer intervenção ou tutela externa: «Afirmamos o direito do nosso povo a resistir [à ocupação] em todas as suas formas e a necessidade de uma resistência cada vez maior na Cisjordânia, em Jerusalém e em todas as nossas terras ocupadas. Rejeitamos qualquer tutela estrangeira sobre o nosso povo e afirmamos que a administração da Faixa de Gaza é um assunto interno». De acordo com este princípio, instaram a comissão designada “administrativa” e “tecnocrática” – vinculada à Autoridade Palestiniana e prevista no plano apresentado pelo presidente norte-americano, Donald Trump – a assumir funções na gestão da Faixa de Gaza, o que Israel tem procurado evitar.

Além disso, os movimentos de resistência palestinianos apelaram a um diálogo nacional integral para concretizar uma aliança política e reconstruir as instituições nacionais, incluindo a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Israel prepara novos ataques

Mais de 2,4 milhões de pessoas na Faixa de Gaza foram submetidas a genocídio, fome e à expulsão das suas casas e terras durante os últimos 1000 dias em consequência da brutal e criminosa agressão de Israel, denunciam as autoridades palestinianas na Faixa de Gaza. 6020 famílias foram aniquiladas e 9500 pessoas continuam desaparecidas, incluindo as que ainda se encontram sob os escombros ou cujo destino se desconhece.

Os dados divulgados confirmam que Israel assassinou pelo menos 21.500 crianças desde finais de 2003. As forças de ocupação israelitas destruíram ao redor de 90% das infra-estruturas da Faixa de Gaza e, actualmente, mantêm ocupados mais de 60% daquele território palestiniano.

O número de mortos por bombardeamentos e ataques de Israel na Faixa de Gaza ascende a mais de 73 mil desde Outubro de 2023.

Investigadores e revistas médicas, como a The Lancet, assinalaram que o impacto real da agressão israelita é superior ao reportado pelas autoridades locais palestinianas, podendo alcançar centenas de milhares de vítimas mortais ao contabilizar as mortes indirectas. Os ataques e o contínuo bloqueio impostos por Israel continuam a impedir uma contagem exaustiva das vítimas.

Desde o anúncio do plano de Trump, em Outubro de 2025, os ataques israelitas mataram mais de mil palestinianos, ataques que constituem uma violação permanente da trégua acordada. As tropas de ocupação israelitas erigiram postos militares avançados, que pretendem permanentes, dentro da Faixa de Gaza, empurrando as suas posições para além da denominada «Linha Amarela», demarcação que inicialmente servia como perímetro da retirada do exército sionista em virtude do acordo de cessar-fogo. A entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza continua sob severas restrições israelitas.

Os factos no terreno e as declarações da cúpula sionista revelam as verdadeiras razões para a ocupação e expansão. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmou que Israel controla 60% da Faixa de Gaza e que as suas ordens são para avançar até controlar 70%, o que ignora as bases do acordo de cessar-fogo alcançado em Outubro de 2025. Entretanto, foi denunciada a intenção das forças de ocupação israelitas de enclausurarem a população palestiniana na Faixa de Gaza em áreas limitadas e militarmente controladas, como nos bantustões no período do apartheid na África do Sul.

 



Mais artigos de: Internacional

NATO é militarismo e guerra e cimeira de Ancara confirma-o

Realizou-se em Ancara mais uma Cimeira da NATO, com foco na continuação do aumento das verbas para a guerra e os armamentos por parte de todos os membros deste bloco político-militar agressivo, particularmente para prolongar o conflito que se trava desde há mais de uma década na Ucrânia.

PC dos EUA repudia ataques anticomunistas de Trump

O Partido Comunista dos EUA (PCEUA) reagiu às recentes declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, proferidas nas comemorações do 4 de Julho, que considera um «acto de desespero». Dirigidas aos Socialistas Democráticos da América (SDA), que venceram as primárias de Nova Iorque, e...

Milhões homenageiam Ali Khamenei

Milhões de iranianos participaram nos últimos dias nas cerimónias fúnebres de homenagem ao líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e a vários dos seus familiares, assassinados em 28 de Fevereiro, no início da agressão militar dos EUA e de Israel ao Irão. Uma enorme multidão congregou-se no complexo da Mesquita Imã...

Colonizados mentais

As cerimónias dos 250 anos da independência dos EUA, na semana passada, dispensam todas as metáforas, alegorias e parábolas. Reflectem a saúde mental do império como o espelho de água do Memorial Lincoln: putrefacto e cheio de lodo. Na sua milésima exibição de húbris imperial, Trump anunciou a fundação do país como «o...