MDM denuncia desigualdade na conciliação entre trabalho e família

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmam que são as mulheres que continuam a suportar os maiores custos das responsabilidades familiares, devido à falta de respostas públicas, por responsabilidade dos sucessivos governos.

Ao Estado cabe assegurar a protecção da família

Reagindo aos dados relativos ao módulo de 2025 do Inquérito ao Emprego sobre a conciliação entre a vida profissional e familiar, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) destaca, numa tomada de posição, que 24,1 % das mulheres trabalhadoras alternam a sua vida profissional para responder às responsabilidades familiares, sublinhando que estas estão mais representadas na redução do horário de trabalho, na mudança de emprego e na alteração de horários.

Para o MDM, esta realidade traduz-se em perdas de rendimento, instabilidade laboral, dificuldades na progressão da carreira e maior dependência económica, responsabilizando os sucessivos governos pela ausência de políticas públicas capazes de garantir uma efectiva articulação entre trabalho e vida familiar.

O movimento afirma que «não há conciliação possível» enquanto persistirem a precariedade laboral e a insuficiência de uma rede pública de creches, equipamentos de apoio à terceira idade, pessoas com deficiência e cuidados continuados, considerando que estas carências obrigam as famílias, e sobretudo as mulheres, a substituir funções que deveriam ser asseguradas pelo Estado.

A organização critica ainda o discurso em torno da «conciliação» e da «igualdade», por entender que transfere para cada mulher um problema colectivo, ignorando que a maternidade é uma função social consagrada na Constituição da República Portuguesa.

Recordando os 50 anos da Constituição de 1976, o MDM defende o cumprimento efectivo das obrigações constitucionais em matéria de protecção da maternidade e da família e reivindica investimento público numa rede gratuita e de qualidade de creches, jardins-de-infância e respostas para a dependência, bem como salários dignos, combate à precariedade e horários de trabalho compatíveis com a vida familiar e pessoal.

 



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