Novos furos em Almada reforçam abastecimento de água
«O concelho de Almada vive problemas na distribuição de água», mas, assegura a CDU, «parte dos problemas, mais urgentes, vão ser minorados pela obra de furos de captação de água», que «está em início de funcionamento».
PS e PSD são responsáveis pela falta de água em Almada
Um furo entrou já em funcionamento no início da passada semana, um segundo começou a injectar água no sistema no início desta semana, e mais três aguardam licenciamento a curto prazo. Estão, ainda, em fase de projecto três furos onde foi aplicado o carácter de urgência legal para acelerar o tempo de concretização da obra», informa a Coligação PCP-PEV, que assumiu responsabilidades nos Serviços Municipais de Água e Saneamento (SMAS) apenas há sete meses. Em nota de imprensa divulgada dia 4, a CDU sublinha no entanto que «os problemas vão exigir uma resposta estrutural mais demorada e devidamente programada».
No documento dá-se ainda conta que a população de Almada aumentou nos últimos 10 anos e o consumo cresceu mais de 19 % nesta década. Ou seja, «Almada capta, neste momento, menos água do que a que utiliza», reconhece a CDU, salientando que a actual situação «é agravada pelo facto de, nos últimos anos, não terem sido construídos novos reservatórios, limitando muito a capacidade de guardar reservas de água» e que «os indicadores de perda de água nas redes são excessivamente altos, sendo que o número de rupturas anuais na rede adutora duplicou nos últimos 8 anos».
«Para além da inadequação do sistema face ao crescimento da população, multiplicou-se o consumo público e privado desordenado e inadequado à capacidade da rede», alerta a coligação, que, ao longo dos últimos anos, seja nas reuniões de Câmara, seja na Assembleia Municipal, criticou e alertou quem geria os SMAS, o PS e o PSD, para a necessidade evidente de reverter a falta de investimento na rede de água.
Tendo em conta este diagnóstico, os SMAS estão a tomar medidas que diminuem os problemas criados às populações com esta situação e a elaborar um plano de intervenção que possa dar uma resposta estrutural e que reponha uma situação de normalidade para o concelho de Almada. Se necessário, a CDU bater-se-á «em sede de revisão orçamental para o reforço das verbas necessárias».
As responsabilidade de PS e PSD
A presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Paula Santos, em declarações no dia 10 aos jornalistas na AR, foi taxativa ao declarar que há «uma responsabilidade muito clara» do PS e do PSD pela situação a que se chegou.
«São oito anos de gestão do PS, mas o PSD teve vereadores com pelouros, nomeadamente o pelouro dos SMAS, e ao longo destes oito anos não foram feitos os investimentos necessários para que fosse assegurado efectivamente esse abastecimento», criticou.
Questionada sobre o facto de anteriormente à chegada do PS à Câmara de Almada ter sido a CDU a responsável pela gestão da mesma, Paula Santos afirmou que, com a coligação PCP/PEV à frente da autarquia, «a questão das águas foi sempre uma área em que houve investimentos que foram feitos e planeamento».
“Foram feitos investimentos ao longo dos anos, e, portanto, aquilo que verificamos é que houve uma ruptura, mas a ruptura foi quando houve a mudança da CDU para o PS», esclareceu, mostrando-se convicta de que o «PSD também tem responsabilidades, porque teve pelouros, nomeadamente nos SMAS e, portanto, tem responsabilidades relativamente a esta matéria».
O PCP alertou
Também a Comissão Concelhia de Almada do PCP se pronunciou sobre esta realidade, em comunicado à população, no qual enumera, ponto por ponto, um conjunto de factos e esclarecimentos que lhe permitem concluir que «PS e PSD são responsáveis pela falta de água no concelho de Almada».
A redução de 19,2 milhões de euros nos investimentos realizados entre 2018 e 2025 (gestão PS e PSD) face ao período entre 2010 e 2017 (gestão CDU) está na origem e explica uma boa parte dos problemas que hoje atingem a população.
«PS e PSD deixaram degradar o serviço de distribuição de água no concelho de Almada com o objectivo de criar na população o ambiente favorável à aceitação do caminho da sua privatização, que, a prazo, para satisfazer o lucro, faria a população pagar mais por um serviço ainda pior», esclarece o PCP no folheto que está a fazer chegar às mãos dos almadenses, onde lembra ainda ter tomado, em 2021, posição contra o aumento da factura da água; ter alertado em 2023 para o insuficiente investimento público nos seis anos de gestão PS; e, em 2024, ter votado contra o orçamento dos SMAS em razão do adiamento, uma vez mais, de «investimentos essenciais na rede de abastecimento de água e saneamento em todo o concelho».




