Não fosse habitual e seria escandaloso (e é)
As consequências da política do Governo na área da Educação na avaliação e divulgação dos resultados dos exames nacionais deste ano continuam a ocupar grande parte dos noticiários. O caso não é para menos, quando ficam tão claros os resultados da destruição dos serviços do Estado prescrita pelo fanatismo liberal, com impacto em muitas dezenas de milhares de estudantes e famílias.
Existem muitos esclarecimentos e responsabilidades a apurar sobre soluções técnicas adoptadas, sobre contratações feitas para as concretizar e até sobre a forma como o ministro e o Governo insultaram todos os que foram vítimas do seu falhanço: de professores a estudantes, dos trabalhadores do ministério às famílias, nem os agrafos escaparam. Mas, no plano político, há responsabilidades que têm de ser apuradas e assacadas, seja pela necessidade de resposta imediata ao problema criado, como pelo indispensável apuramento dos resultados da política de destruição dos serviços do Ministério da Educação promovida pelo Governo, particularmente quando o Executivo e o ministro passaram as últimas semanas a fugir de explicações e a atirar responsabilidades para terceiros.
No meio de todo este processo, houve uma força política que inegavelmente se destacou na sua intervenção e que forçou o escrutínio parlamentar: o PCP. Foi por sua iniciativa que o ministro teve de ir à Comissão Parlamentar de Educação e foi também por acção do PCP que, quando Fernando Alexandre quis fugir das explicações em tempo útil, teve de ir ao plenário da Assembleia da República na última sexta-feira. Quando, noutras ocasiões, um deputado ou um partido se destacaram na sua intervenção ou no escrutínio à acção governativa, era habitual que tal resultasse numa autêntica tournée de entrevistas dos espaços informativos ao entretenimento – os exemplos são muitos, dos deputados-estrela numa qualquer comissão de inquérito que se transformam em comentadores residentes a intervenções bem humoradas que justificam presenças em programas televisivos de grande audiência.
Por isto, podia ter sido surpreendente a ausência do PCP das muitas entrevistas televisivas que se foram atropelando no final da última semana. Seria, não fosse tão recorrente como escandalosa a insistente opção em dar espaço mediático privilegiado aos mesmos de sempre. Enquanto André Ventura, no seu número de vítima de uma dita “ameaça” de um ministro, e José Luís Carneiro, ainda e sempre preso ao papel de último recurso do Governo, se foram atropelando um ao outro nos canais de televisão onde foram entrevistados, até as iniciativas com participação do Secretário-Geral do PCP pouco ou nenhum espaço mediático tiveram. Duas conclusões podemos tirar de mais este episódio: o pluralismo na comunicação social dominante é cada vez mais uma miragem, e se há regra de ouro na hora de os decisores mediáticos escolherem os protagonistas dos seus espaços de informação é que comunista não entra.




