Greve forte na Cofaco a exigir salários, progressão e dignidade
Durante uma semana, as trabalhadoras da Cofaco, em Rabo de Peixe (São Miguel, RA Açores) que produzem milhões de conservas de excelência a troco do salário mínimo, fizeram greve e protestaram na rua.
São «os Messis e os Cristinanos Ronaldos» do sector, mas é-lhes negada valorização
Entre segunda e sexta-feira da semana passada, os trabalhadores da conserveira (mulheres, na esmagadora maioria) fizeram greve, com serviços mínimos nos dias 20 e 24, e uma adesão que o sindicato SITACEHTT/Açores estimou em 85 por cento. Realizou-se ainda uma concentração no exterior das instalações, na quarta-feira, dia 22.
«A elevada adesão à greve demonstra o descontentamento dos trabalhadores face aos baixos salários, à perda do poder de compra e à falta de perspectivas de progressão profissional», comentou a Organização da Região Autónoma dos Açores do PCP. Numa nota publicada dia 24, o Partido afirmou que «as reivindicações apresentadas são justas» e defendeu que «a administração da Cofaco avance para um processo negocial que conduza a aumentos salariais, à revisão das tabelas salariais e à valorização das carreiras, respeitando quem diariamente contribui para a riqueza da empresa».
A grande maioria dos trabalhadores, entra para a Cofaco a ganhar o salário mínimo regional e assim permanece durante décadas, até à reforma, porque não há progressão na carreira, como explicou aos jornalistas, durante a concentração, o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo, Transportes e Outros Serviços dos Açores (SITACEHTT/Açores). Vítor Silva acentuou a injustiça da situação, considerando que estes trabalhadores são «os Messis e os Cristianos Ronaldos» da indústria conserveira, produzindo anualmente mais de 50 milhões de latas de conserva, de marcas como Bom Petisco ou Tenório.
Nas negociações anuais, a administração não aceitou nenhum aumento das remunerações, nem na tabela salarial, nem nas diuturnidades, nem no subsídio de alimentação. Vítor Silva, também membro do Conselho Nacional da CGTP-IN, contestou a argumentação patronal de já ter havido aumentos salariais, pois apenas se tratou da actualização obrigatória, por via da subida do salário mínimo.
Além da administração, foi ainda exigida uma posição do Governo e do Parlamento regionais, uma vez que a empresa obtém apoios públicos da Região, do País e da UE, aos quais deve corresponder uma obrigação social de valorização do trabalho.
Na concentração, em depoimentos e em cartazes, foi também criticada a inutilidade do programa MAIS (Mecanismo de Apoio ao Incremento Salarial), anunciado em 2023 pelo presidente do Governo Regional, numa visita à Cofaco.




