Censurar a política do Governo sem alimentar «malabarismos»
Na terça-feira, 8, o Parlamento discutiu e rejeitou uma moção de censura do Chega ao Governo. O PCP absteve-se, não alinhando numa tentativa de escamotear o apoio do Chega à política do Executivo.
Chega «quer espaço para malabarismos políticos»
No debate parlamentar, Paulo Raimundo, dirigindo-se directamente ao primeiro-ministro, explicou que o Executivo nada fez para aumentar salários, rendimentos e pensões, que estão a ser “engolidos” pelo aumento do custo de vida. Assim acontece, explicou, no preço dos alimentos, mas, também, no aumento dos custos dos combustíveis e do gás de botija.
O Governo, no entender do dirigente comunista, com as suas opções, penaliza populações, trabalhadores, pescadores, pequenos empresários e famílias, não se coibindo, com o apoio do Chega, de baixar os impostos aos grandes grupos económicos.
O Secretário-Geral destacou, igualmente, que Luís Montenegro, mesmo falando tanto de soberania, não pretende utilizar os oito por cento do Estado na Galp para travar a entrega da única refinaria portuguesa, em Sines, à multinacional Moeve. Paulo Raimundo assegurou que o Executivo PSD/CDS nada faz para baixar as rendas e impedir os despejos, nem para travar a destruição do SNS. Todas estas opções, garantiu, correspondem inteiramente às posições do Chega.
A moção foi rejeitada por não alcançar a maioria absoluta de 116 votos a favor.
Espaço para «demagogia» e «folclore»
Ainda na tarde de quarta-feira, 2, em reacção ao anúncio da apresentação da moção de censura, Vladimiro Vale, dos organismos executivos do Comité Central, deixou a tónica geral do posicionamento do Partido: «O Chega não quer esclarecimentos. Quer espaço para malabarismos políticos».
A abstenção do PCP, como ficou patente nas intervenções no Parlamento, na declaração de Vladimiro Vale e em declarações de Paulo Raimundo no dia 5, prende-se com a necessidade de não alimentar as intenções do Chega, nem de apoiar o Executivo PSD/CDS votando contra a moção.
«O Governo e a sua política merecem censura», esclareceu o Secretário-Geral aos jornalistas, no sábado, na Festa do Avante!, recusando-se a alimentar «a demagogia» e «o folclore» do partido de André Ventura.
Problema não é só do ministro
Não obstante o posicionamento da bancada comunista na votação, o Secretário-Geral não deixa de considerar que «as questões que envolvem o ministro [Luís Neves] exigem explicações».
No entanto, esclareceu na Festa, «o Governo deixou-se arrastar para este processo e, portanto, a responsabilidade deixou de ser do ministro e passou a ser de todo o Executivo». Ao mesmo tempo , «o problema do Governo e o problema das nossas vidas não é apenas aquele ministro».
Nestas declarações, o Secretário-Geral alertou que o Partido e a sua bancada parlamentar dispõem de vários instrumentos para travar o Executivo e a sua política, tanto a «luta de massas» como «instrumentos legislativos, nomeadamente a moção de censura».




