Razões de sobra para ampliar a luta

Na manifestação dos trabalhadores das carreiras gerais da Administração Pública, no dia 2, como no desfile dos professores e educadores da passada segunda-feira (ver páginas 6 e 7), o Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, apelou à continuação da luta: «o trabalho merece respeito e dignidade e exige ser valorizado. A luta não termina hoje, continua em cada local de trabalho, em cada serviço, e vai continuar no dia 17. Nesse dia, vamos convergir em Lisboa, Porto e Coimbra para uma grande manifestação nacional descentralizada. Vamos mostrar a nossa força por mais salário, melhores pensões e melhores serviços públicos. Vamos mostrar a nossa força contra o aumento do custo de vida e por um novo rumo para Portugal.»

A derrota do pacote laboral provou que vale a pena lutar, garantiu o dirigente sindical, para quem «a nossa unidade, a nossa organização e capacidade de mobilização, é a nossa maior arma».

São muitos os motivos para prosseguir e intensificar a luta e Tiago Oliveira referiu alguns, a começar pelo aumento dos preços dos bens essenciais, que assume uma «dimensão que coloca em crescentes dificuldades a larga maioria dos que vivem e trabalham no nosso país». Esta situação torna-se ainda mais grave quando proliferam os baixos salários: 50 por cento dos trabalhadores auferem valores inferiores a mil euros por mês, o que implica que, com a subida dos preços, um número crescente não consegue satisfazer necessidades básicas. São cada vez mais os que têm de escolher entre pagar a casa e pôr combustível para ir trabalhar, pôr comida na mesa ou comprar os medicamentos de que precisa, denunciou.

Enquanto isso, o grande capital «continua a encher os bolsos», com lucros milionários e crescentes, da banca à GALP, da EDP à grande distribuição alimentar.

Para o Secretário-Geral da CGTP-IN, a degradação das condições de trabalho e o subfinanciamento dos serviços públicos não são um acidente, mas «uma escolha política consciente que abre as portas ao negócio privado». E quando o Estado falha, quem é que lucra? – questionou.



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