Os media dominantes e a informação alternativa
<font color=990000>Rede de interesses de classe</font>
Na era da dita «sociedade de informação» torna-se relevante discutir os meios de comunicação social, a sua configuração e papel no actual contexto mundial, debate que, ao início da tarde de dia 24, no Cine-Teatro de Moura, animou os presentes e lançou muitas pistas de análise.
O crescimento da utilização da Internet, no início dos anos 90, foi provavelmente um dos factores que mais peso adquiriu na reconfiguração das formas de produção, difusão e acesso da informação, assistindo-se a uma cada vez maior presença dos meios de comunicação social dominantes na rede.
Paralelamente ao sucedido com outros formatos, os órgãos de comunicação social disponíveis online enfrentaram crescentes pressões da publicidade, «tornando-se quase impossível visitar uma qualquer página, seja qual for o conteúdo, sem as inevitáveis áreas de publicidade, quantas vezes mais elaboradas e gastadoras de largura de banda que os conteúdos principais», facto que plasmou a Internet como «um veículo de publicidade por excelência», onde o utilizador é cada vez mais passivo, controlado, e o carácter formativo e informativo se empobrece em detrimento da superficialidade e orientação temática, explicou Rogério Reis.
No contexto geral, a década de 90 afirmou-se ainda como a que assistiu à concentração dos meios de comunicação de massas nas mãos de poucos grupos económicos, facto que, como referiu Fernando Correia, demonstra o interesse das classes dominantes no controle dos instrumentos visando a imposição da sua ideologia e a estruturação da realidade, porque, afirmou, «é nessa realidade fabricada pelos média que as pessoas baseiam, em grande parte, as suas opiniões, atitudes e comportamentos».
Assim torna-se perceptível que os interesses de classe sejam centrais na análise da informação de que dispomos e que, «o essencial» continue a residir «na natureza de classe da propriedade, isto é, no facto dos média de maior influência social estarem, praticamente todos, nas mãos de uma determinada classe social», disse ainda Fernando Correia.

Meios, mentiras e informação alternativa

Neste quadro, Anabela Fino, oradora e moderadora do debate, recordou que ao mesmo tempo que se espalhou a «”voz do dono”», «não foi necessário muito tempo para se perceber que o mundo unipolar» instalou a prática e difusão do terror.
Terror, de facto, nas inúmeras guerras desencadeadas após a derrocada da URSS, mas também nas mentiras com que procuram esconder a verdadeira natureza imperialista das suas acções, como exemplificou com a guerra contra a Jugoslávia.
Anabela Fino destacou ainda que para além da «excessiva comercialização dos média» que empurra os jornalistas para o papel de «produtores de conteúdos», estes «estão cada vez mais dependentes de fontes de informação que não controlam», no seio de um «mercado de trabalho aparentemente amplo dada a diversidade de títulos» mas que «é na verdade cada vez mais restrito, pois quem entre em conflito num determinado órgão fica quase automaticamente com as portas fechadas em todos os restantes do mesmo grupo».
Em oposição à mentira e à superficialidade têm-se afirmado órgãos de informação alternativa, como o sítio Rebelion , do qual um dos oradores, Luciano Alzaga é director.
Alzaga sublinhou que para além da importância de contrapor versões e análises às impostas pela ideologia dominante, cabe à informação alternativa ajudar ao desenvolvimento dos movimentos sociais de contra-poder, numa visão da informação alternativa comprometida com um projecto de emancipação social.


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