O imperialismo põe em causa a própria sobrevivência da humanidade
Sessão de encerramento
<font color=990000>As contradições de uma época</font>
Na sessão final do encontro, na manhã de sábado, o economista Jorge Figueiredo abordou as consequências da extinção próxima do petróleo, facto que, na sua opinião, marca o fim de uma era. «Tal transição é ainda mais complicada pela actual fase do capitalismo, em que este adquire um carácter predatório e de uma irracionalidade absoluta quanto a fins», referiu.
A primeira consequência apontada pelo economista é o aumento do preço do petróleo. Actualmente há já especialistas que prevêem que o preço actual do barril triplique antes de 2008. Mas, se esta é a consequência mais imediata, outras surgem no horizonte: dificuldades nos transportes dentro e fora dos países, a redução da produtividade do trabalho agrícola e do rendimento proporcionado pela terra, a obsolescência de parte do parque industrial e a intensificação da luta do imperialismo para se apossar das últimas reservas.
«A guerra de conquista que se trava agora no Afeganistão e no Iraque, a ameaça a outras, a rivalidade entre o imperialismo americano e o sub-imperialismo europeu, o peso relativo da produção da OPEP versus o da não-OPEP está a acontecer diante de nós neste momento. O défice de compreensão disto entre milhões de pessoas do mundo deve-se à desinformação dos media corporativos», afirmou o economista.
Iroel Sánchez, director do Instituto Cubano do Livro e das Edições Sociais, focou uma questão diferente, a do poder dos media. «Consumir é o caminho para a liberdade, parecem dizer-nos os meios de comunicação social dos EUA, na sua tarefa de converter os cidadãos em consumidores, tão atentos às suas possibilidades no mercado que ignoram totalmente a política salvo no dia das eleições, em que se deverá “escolher” entre os partidos-empresas que se vendem na televisão como qualquer artigo de consumo», defendeu.
Fundador do Pólo da Renascença Comunista em França, o professor Georges Gastaud considerou que «o capitalismo e o imperialismo constituem uma ameaça directa de retrocesso e de morte, não apenas no campo do progresso social, das liberdades, da soberania das nações, do avanço das luzes, mas para a própria sobrevivência da humanidade. Apenas um combate de classe e uma resistência popular determinada, visando os alicerces do sistema e quebrando a cadeia imperialista num ou vários países, orientado abertamente para o socialismo, será capaz de interromper a espiral de decadência e de morte, da qual o capitalismo chegado a um grau supremo de irracionalidade e de extermínio, é o responsável.»
Na última intervenção, Francisco Melo, editor e dirigente do PCP, desenvolveu «Alguns tópicos sobre utopia e oportunismo», referindo que «os congeminadores intelectuais de fachada de esquerda apenas vêem as manifestações miseráveis do capitalismo, limitando-se à sua denúncia teórica, a um “radicalismo passivo” ou a avançar com alternativas que não passam de paliativos dentro do próprio sistema, [são] incapazes de descortinar no pólo da miséria das massas exploradas o pólo oposto, revolucionário, porque abandonaram o marxismo».
Em próximas edições, o Avante! publicará entrevistas e intervenções de alguns dos participantes no seminário.


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