A intervenção estatal foi decisiva para salvar o produtor britânico
British Energy sai da bolsa
Fracasso liberal
O grupo de energia nuclear British Energy, primeiro produtor de electricidade do Reino Unido, anunciou na quinta-feira, 23, a intenção de se retirar da Bolsa.
A decisão acelerou a desvalorização do título, cuja queda tinha sido retardada após a Comissão Europeia ter aprovado o plano do governo britânico para salvar a empresa, através de uma injecção maciça de capital, qualquer coisa como cinco mil milhões de libras (7,4 mil milhões de euros).
As dificuldades da companhia põem de novo em causa o modelo «liberal» britânico, caracterizado por uma concorrência total da produção à distribuição, e levantam as mais sérias dúvidas sobre o processo de privatização concretizado em 1996, que entregou todo o sector nas mãos de privados.
A liberalização do mercado eléctrico provocou um aumento da oferta e uma feroz concorrência pela conquista dos grandes consumidores, o que conduziu a uma acentuada quebra de preços.
A maior parte das empresas, caso da London Electricity, que é detida a 100 por cento pelo grupo estatal francês EDF, compensou as perdas através do aumento das tarifas aos consumidores particulares.
Já a British Energy, que não podia recorrer a tal expediente uma vez que actua exclusivamente no mercado industrial, começou a acumular perdas que atingiram em 4,3 mil milhões de libras no exercício de 2002-2003. Os resultados melhoram na sequência da subida de preços, entretanto verificada, mas não foi suficiente para equilibrar as contas.
A intervenção de capitais do Estado tornou-se inevitável para salvar esta empresa estratégica para a economia do País. De símbolo da privatização à inglesa, a British Energy passará a ser lembrada como um exemplo de renacionalização forçada.


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