• Pedro Campos

Dois apontamentos
Num desses relatórios cínicos que o imperialismo tira da algibeira, o regime de Bush acaba de ter outro descaramento digno de registo: são latino-americanos mais de metade dos países que Estados Unidos consideram como os maiores produtores de droga no mundo.
Esquece o relatório em questão alguns dados essenciais do problema. O primeiro é do conhecimento de qualquer pessoa medianamente informada: os Estados Unidos são o maior consumidor de drogas em todo o mundo. Dizem-no as estatísticas e a prática de vários «ilustres», entre eles o próprio Bush, também alcoólico e dos bons. Igualmente não convém esquecer que do México do seu amigo Fox (ex Coca Cola), provém, diz o estudo, grande parte da droga que serve o mercado norte-americano. Outro bom amigo de Bush, Álvaro Uribe, é quem governa um dos maiores produtores de cocaína do mundo, pozinho que, em boa medida, termina nas ruas de Nova Iorque. Mais longe, segundo informam números das Nações Unidas, está outro país que come da mão do
império: o Afeganistão, de onde sai 75% da produção mundial do ópio. Os bombardeamentos inclementes sobre o território afegão foram capazes de arrasar o pouco do país que estava em pé, mas não acabaram com os campos de papoilas. É que o ópio é um grande negócio e business is business, especialmente quando grande parte do mesmo termina nos bancos norte-americanos. Segundo o próprio Bush, a produção de ópio neste país continua a aumentar. Será que a potência colonial não tem responsabilidades nisto? …
Este quinquénio de Bush será recordado em todo o mundo por muitas razões, sem que se saiba qual a pior. Esta é certamente a razão pela qual a BBC/Londres nos fala de uma sondagem mundial que deseja a derrota de Bush em Novembro. Em 30 dos 35 países investigados, a maioria não quer a vitória de Bush, que nem sequer aparece melhor nos países que foram (e são ainda) seus aliados no assalto ao petróleo do Iraque. E mais: a maioria diz que a política de Bush «faz diminuir o seu apreço pelos Estados Unidos». Sem dúvida, para o país de George Washington e para o mundo teria sido muito melhor que este George continuasse a ser um simples cidadão a cair de bêbado nos campos
petrolíferos do Texas…

Venezuela: os vários rostos da agressão fascista

Recentemente, um grupo dez de funcionários da empresa petrolífera venezuelana (PDVSA) foi emboscado, durante uma missão de trabalho, perto da fronteira com a Colômbia, apesar de ir escoltado por militares. O resultado foram seis soldados e um civil mortos. Os cinco irregulares, alegadamente paramilitares, que atacaram de surpresa desde uma colina, dispararam tiros de AK-47 e lançaram granadas, que não chegaram a rebentar porque caíram nas águas do rio. Segundo as autoridades venezuelanas, tudo indica que se tratou de uma acção de paramilitares, atendendo ao modus operandi já conhecido.
De facto, o assalto parece ter sido realizado com a intenção deliberada de aterrorizar e não deixar feridos. O caso da engenheira Carrasco, de PDVSA, é exemplar. Conseguiu chegar a uma das margens do rio, mas foi aniquilada com um tiro na cabeça. Dadas as eventuais implicações internacionais desta acção terrorista, as autoridades venezuelanas estão a tratar o assunto com todas as precauções, mas as autoridades colombianas não perderam tempo e já acusaram as FARC. Entretanto, ligando este caso ao dos mais de cem paramilitares colombianos detidos há pouco perto de Caracas, crescem as suspeitas de que o Plano Colômbia já salpica a Venezuela, como parte da estratégia imperialista de hostilizar o processo bolivariano que, com o tempo, ganha crescente apoio nacional e internacional.
À cara do fascismo que vem de fora, corresponde outra no interior do país.
Um par de semanas após a entrega de terras a vários camponeses do Estado Zulia,
também fronteiriço, dois dirigentes agrários foram assassinados. Pertenciam ao grupo dos que tinham solicitado as terras.
No Estado Portuguesa, muda o cenário, repete-se o crime. O Instituto Nacional de Terras (INT) entrega cartas agrárias a camponeses e três deles são assassinados com tiros na cabeça.
Individualmente, de dois em dois ou de três em três, somam já 120 os dirigentes campesinos vítimas dos latifundiários descontentes com a política agrária do governo bolivariano. Segundo tudo indica, os terrófagos buscam impor-se pelo terror dos sicários (assassinos a soldo) e de verdadeiros exércitos privados de tipo paramilitar. O que não conseguem pelos votos, pretendem alcançar pelo terror.


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