Falta um novo modelo para colocação de professores
É «indispensável e urgente a aprovação de um novo modelo de concurso, que respeite o seu carácter público e nacional, que se oriente para a valorização dos quadros das escolas e que promova a estabilidade dos professores e educadores portugueses», defende a Fenprof.
Num documento entregue na semana passada ao secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa, em Viseu, a federação considerava que a decisão anunciada pela ministra (fazer a colocação de mais de 50 mil professores e educadores sem depender do sistema informático) correspondia às exigências de não anulação do concurso e de não anulação da fase anterior (como sucederia com a recondução automática dos docentes nas escolas onde haviam leccionado no último ano).
Contudo, «a expectativa com que a Fenprof aguarda mais esta tentativa de colocar os professores não retira qualquer peso à apreciação extremamente negativa que faz de todo o processo, nem atenua as acusações de irresponsabilidade política e de incompetência técnica que tem assumido».
A federação asseverava que irá continuar a acompanhar atentamente a colocação de professores, exigindo correcção das listas e apresentando propostas concretas.
A irresponsabilidade política «é muita e reparte-se por dois governos e duas equipas ministeriais». Primeiro, «o ministro David Justino e o secretário de Estado Abílio Morgado, em conjunto com diversas organizações sindicais (apenas a Fenprof se demarcou), decidiram impor o actual modelo de concurso aos professores, tendo-o aplicado sem qualquer teste prévio». Em Setembro do ano passado, não foi dada importância ao atraso que resultou da aplicação da primeira parte do modelo (que substituiu os mini-concursos). Mais tarde, não foram tomadas medidas para recuperar o atraso na apresentação de candidaturas para 2004/2005 (não em Janeiro, mas em Março). Em Maio e Junho e em Setembro foram divulgadas listas de colocações repletas de erros.
A actual equipa ministerial teve «uma actuação pouco rigorosa e que denota uma forte componente de irresponsabilidade política», citando a Fenprof alguns factos: as garantias dadas pela ministra na AR para abertura do ano lectivo a 16 de Setembro, quando a directora de Recursos Humanos da Educação já dizia tal ser impossível; a assunção de prazos sucessivos e nunca respeitados para divulgação das listas ainda em falta; a desvalorização do facto de um elevado número de escolas portuguesas ainda continuarem encerradas.


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