A campanha nacional do PCP prolonga-se até ao início de Junho
PCP lança campanha nacional
Contra a injustiça</br>Lutar pelos direitos
O PCP lançou anteontem, no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, numa sessão que contou com a presença de Jerónimo de Sousa, a campanha nacional «Basta de injustiça – mudar de política para uma vida melhor». A acção prolonga-se até ao início de Junho.
O PCP promove, até ao início de Junho, uma campanha nacional de informação e esclarecimento contra a precariedade e pela defesa dos direitos e condições de vida dos trabalhadores e da população. Para esta campanha, que tem como lema «Basta de injustiças – mudar de política para uma vida melhor», será editado um folheto de larga tiragem (ver texto nesta página) e serão afixados materiais de propaganda fixa, com vista a garantir uma larga presença de rua do Partido e das razões desta acção. A campanha terá também uma forte presença no sítio do Partido na Internet, em www.pcp.pt.
Com esta acção de contacto com os trabalhadores e as populações, o PCP pretende «denunciar esta política inaceitável, em que o Governo promove o encerramento e a privatização de serviços públicos, promove a precariedade, alarga a utilização do trabalho temporário e, em nome da chamada “flexi-segurança”, quer facilitar os despedimentos individuais sem justa causa e desregulamentar horários, funções, carreiras e remunerações, afectando gravemente os interesses dos trabalhadores e das populações».
Mas não só. É também objectivo da campanha afirmar que «não estamos condenados ao declínio nacional, às injustiças sociais, ao comprometimento do futuro das novas gerações e do País». Face a isto, defendem os comunistas, é necessário mudar de rumo e de política.
Anteontem, no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, Jerónimo de Sousa lançou a campanha, explicitando os seus principais objectivos. Damos nota, nestas páginas, da intervenção do secretário-geral do Partido.

Contactar com os trabalhadores e o povo
Protesto e luta

«Basta de injustiças», lê-se no folheto que será distribuído em todo o País no âmbito da campanha nacional do PCP. Para os comunistas, a realidade desmente a propaganda do Governo: mais de 600 mil desempregados; destruição de empresas e postos de trabalho; os mais baixos salários na União Europeia; preços de serviços e bens essenciais mais elevados; aumento das taxas de juro; aumento da idade da reforma e diminuição do valor das pensões.
Para além disto, denuncia-se no folheto, são encerrados e privatizados serviços públicos fundamentais, como escolas, urgências e maternidades. Em consequência disto, afirma o PCP, criam-se novas áreas de negócio para os grupos económicos e financeiros e zonas inteiras do País são abandonadas.
A outra face da moeda é, acusam os comunistas, o aumento anual dos lucros dos grupos económicos. «Em 2006, os cinco principais bancos nacionais, juntamente com a EDP, a PT, a GALP e a SONAE, tiveram 5,3 mil milhões de euros de lucros, mais 14,4 por cento do que em 2005.»
Nesta campanha, a precariedade surge como um dos principais alvos dos comunistas. Considerada pelo PCP como uma «praga social do nosso tempo», a precariedade atinge já mais de um milhão de trabalhadores, meio milhão dos quais jovens. «Os contratos a prazo, os recibos verdes, a prestação de serviços, as bolsas de investigação, os apoios de inserção, o trabalho temporário, tudo serve para eternizar a situação de precariedade.»
Já o PCP defende que «a um posto de trabalho permanente deve corresponder um contrato de trabalho efectivo», reafirma-se no folheto. Mas o PS, com o apoio do PSD e do PP, faz precisamente o contrário, tendo aprovado uma lei sobre o trabalho temporário que visa «legalizar a ilegalidade das novas praças de jorna e dá um péssimo exemplo com a precariedade na Administração Pública».
Face a esta situação, o PCP apela ao protesto e à luta dos trabalhadores e das populações. E avança com o apelo à participação na manifestação do 1.º de Maio e nas greves convocadas para o dia 30 desse mês.

Números da desigualdade

- Portugal conta actualmente com mais de 600 mil desempregados;
- Destes, metade são desempregados de longa duração;
- Milhares de trabalhadores, forçados a emigrar, são sujeitos a regimes de trabalho escravo e sem direitos;
- Portugal apresenta a maior taxa de trabalhadores pobres da União Europeia;
- Um terço dos portugueses pobres são trabalhadores;
- Outro terço dos pobres são reformados e pensionistas;
- Portugal é o País com menos justiça social e um dos mais desiguais da UE;
- Aumentou a idade da reforma e diminuiu o valor das pensões;
- Os trabalhadores portugueses têm dos mais baixos salários dos países da União Europeia e preços de serviços e bens essenciais dos mais elevados;
- Em 2006, os cinco principais bancos nacionais, juntamente com a EDP, a PT, a GALP e a SONAE, tiveram 5,3 mil milhões de euros de lucros, mais 14,4 por cento do que em 2005.


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