Banco do Vaticano na «lista negra»

A filial de Milão do conhecido banco norte-americano JPMorgan informou o Vaticano de que a sua conta será encerrada amanhã, 30 de Março. A notícia caiu como uma bomba, já que não é todos os dias que o JPMorgan encerra contas de importantes clientes. A razão de tão drástica medida, de acordo com o jornal espanhol Expansión, radica no que, muito polidamente, o JPMorgan designa por falhas de comunicação de informações obrigatórias segundo a lei contra a lavagem de dinheiro.

Ao que consta, o banco IOR – o banco do Vaticano – não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre alguns estranhos pagamentos transferidos da sua conta na filial italiana.

A coisa não é de somenos: todos os dias o saldo da conta do banco do Papa é posto a zero e os montantes transferidos para a conta que o IOR tem no JPMorgan em Frankfurt. O movimento nos últimos 18 meses ascendem a mais de 1,5 mil milhões de euros!

Segundo as notícias vindas a público, as preocupações do JPMorgan com o seu distinto cliente foram suscitadas pela Procuradoria-Geral de Roma, que há algum tempo investiga o IOR por alegadas violações da lei contra a lavagem de dinheiro. No seguimento das investigações, o banco norte-americano classificou a conta do Vaticano de «alto risco» e exigiu explicações adicionais ao IOR, que rejeitou o pedido. É caso para dizer que até (ou sobretudo?) na Santa Sé o segredo é a alma do negócio.

A não ocorrer nenhum milagre, amanhã a conta é encerrada. Resta saber para onde vai o dinheiro e qual será a resposta que a OCDE vai dar ao pedido do Vaticano para ser incluído... na «Lista Branca», ou seja na lista de países que estão na primeira linha contra a lavagem de dinheiro.

 

Assunto encerrado?

 

Na quarta-feira, 21, um comunicado do Ministério da Economia dava conta de que a decisão do Tribunal de Contas de não atribuir o visto prévio ao contrato do troço Poceirão-Caia, «vem, na perspectiva do Governo, encerrar a polémica em torno do projecto do TGV, que será assim definitivamente abandonado».

No mesmo documento do Ministério da Economia, o Governo reafirma que em «matéria de redes ferroviárias transeuropeias a sua prioridade está relacionada com as ligações de transporte de mercadorias em bitola europeia, a partir de Sines e de Aveiro, de modo a reforçar as condições para o aumento da competitividade das exportações portuguesas».

Pensou-se que a saga do TGV tinha chegado ao fim. Sucede no entanto que em Portugal, no que ao Governo diz respeito, quase nada é aquilo que parece.

 

Ou talvez não...

 

Na quinta-feira, 22, o comissário europeu dos transportes, Siim Kallas, veio dizer – no final de uma reunião de ministros europeus com a tutela do transporte em que também participou o ministro Álvaro Santos Pereira – que «em termos de processo de trabalho, encontrámos um entendimento com Portugal» para a construção no futuro de uma linha de TGV mais lenta, de 200 a 250km/h, que «também é muito rápida».

De registar que na reunião foi aprovado o projecto europeu de redes transeuropeias, onde se inclui o «corredor Sul» ligando Portugal a Espanha.

Do acima exposto resultam duas conclusões: o «abandono definitivo» afinal é provisório, e o TGV passa a Tgvinho, que como muito bem diz o comissário Kallas «também é uma ligação muito rápida».



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