Romenos afundam-se na pobreza
Crise social e política na Roménia
Governo substituído

Passados apenas 78 dias da tomada de posse, o governo romeno chefiado por Mihai Razvan Ungureanu foi derrubado, dia 27, por uma moção de censura apresentada pela oposição.

O presidente Traian Basescu apressou-se a nomear o social-democrata Victor Ponta como novo primeiro-ministro, o qual já se tinha aliado ao Partido Nacional Liberal com vista às próximas eleições legislativas, esperadas para Outubro ou Novembro.

Deste modo, substituindo o Partido Democrata Liberal, até agora no poder, Ponta propõe-se liderar um governo em que tanto participa a chamada «esquerda» social-democrata como a direita mais liberal.

Esta súbita mudança de executivo visou acalmar a contestação social que alastra no país e que já tinha provocado, em 6 de Fevereiro, a queda do primeiro-ministro Emil Boc, na sequência de massivos protestos populares que duraram semanas a fio.

 

Um povo na miséria

 

As duras medidas de austeridade, impostas desde a entrada no país do Fundo Monetário Internacional, em 2009, têm provocado uma deterioração acentuada do poder de compra da população. Além do aumento de impostos em 24 por cento, o governo romeno diminuiu os salários em 25 por cento.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INS), relativos a 2011, mais de 55 por cento dos trabalhadores romenos recebem no máximo 360 euros mensais brutos e só 15 por cento ganham acima de 710 euros.

O salário médio bruto na Roménia ronda os 400 euros (1719 lei), mas as próprias estatísticas oficiais indicam que, para fazer face às despesas «estritamente necessárias», um trabalhador precisa de ganhar, pelo menos, 360 euros (1600 lei).

No entanto, este limite mínimo está longe de ser garantido à maioria dos trabalhadores. Mais de 50 por cento auferiram no ano passado entre 671 e 1500 lei (entre 160 e 360 euros) e só 30,9% por cento atingiram o escalão entre 1501 e três mil lei (710 euros). O Instituto refere ainda que existem actualmente 4,2 milhões de assalariados na Roménia, ou seja, metade dos que estavam no activo em 1989.



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