Novas medidas gravosas atingem educação e saúde
Manifestações em 55 cidades de Espanha
Protesto permanente

Convocadas pela «Plataforma social de defesa do Estado de bem-estar e dos serviços sociais», cerca de meia centena de manifestações tiveram lugar no domingo, 29, em toda a Espanha. Os protestos continuaram no 1.º de Maio.

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Num dia chuvoso, mais de 40 mil madrilenos responderam ao apelo da «Plataforma», dinamizada pelas principais centrais sindicais, que convocou acções de protesto em 55 cidades de Espanha.

Em Barcelona, a manifestação juntou quatro mil pessoas, na Andaluzia os sindicatos calculam que 30 mil desfilaram nas oito principais cidades da região. No País Basco, mais de duas mil pessoas em três cidades contestaram a política anti-social do governo.

Por seu turno, os sindicatos mobilizaram perto de 70 mil pessoas em nove cidades da Galiza, enquanto em Castela e Leão foi a própria delegação do Governo a admitir cerca de 15 mil manifestantes nas capitais de província.

Em Gijón (Astúrias), os sindicatos afirmam que o desfile juntou 50 mil pessoas; em Santander (Cantábria) terão sido oito mil a manifestarem-se, a que acrescem acções importantes em Badajoz e Cáceres (seis mil manifestantes), Múrcia (cinco mil) assim como Saragoça, Pamplona e Melilla, entre outras cidades.

Na capital espanhola, o desfile terminou na Porta do Sol com a promessa de que o movimento irá intensificar-se para impedir o desmantelamento dos direitos sociais fundamentais.

Na praça central de Madrid, Ignacio Fernández Toxo, das Comisiones Obreras, apelou mesmo a um protesto «permanente» e a «uma rebelião democrática pacífica», até que o governo rectifique os cortes gravosos.

Também Cándido Méndez, da UGT, avisou o governo de que as pessoas não esquecerão estas medidas, «porque vão vivê-las no dia-a-dia, e denunciou «uma mudança no modelo social em Espanha» que põe em perigo a coesão social.

«Com a saúde e a educação não se brinca», recorda a palavra de ordem da Plataforma, em cujo manifesto explica as consequências dos cortes orçamentais de dez mil milhões de euros naqueles dois sectores essenciais, principalmente para as camadas mais desfavorecidas da população.

No plano geral que visa cortar 27,3 mil milhões de euros, sobretudo em áreas sociais, as medidas já conhecidas implicam o aumento das propinas universitárias em 50 por cento (de mil para 1500 euros em média), o aumento das comparticipações nos medicamentos, que passam a abranger pela primeira vez os pensionistas, que até aqui beneficiavam de acesso gratuito aos fármacos, ou ainda a exclusão dos imigrantes indocumentados dos cuidados de saúde públicos, exceptuando na especialidade de pediatria e urgências em geral.

 

No recorde
do desemprego

 

Confirmando o contínuo agravamento da situação económica, o Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol revelou, dia 27, que a taxa de desemprego em Espanha aumentou 1,59 pontos percentuais no primeiro trimestre para 24,44 por cento, significando um total de cinco milhões e 639 mil desempregados.

Trata-se do nível mais elevado de desemprego das últimas décadas, consequência do aumento de 729 mil novos desempregados em apenas um ano. O Inquérito de População Activa (EPA na sua sigla espanhola) salienta que, no primeiro trimestre, a taxa de ocupação caiu para 59,94 por cento (ou cerca apenas 17,43 milhões de trabalhadores têm emprego).

O país já tem mais de 1,7 milhões de famílias em que todos os seus membros estão desempregados, um aumento de 153 mil em relação ao último trimestre de 2011.



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