Crianças são vítimas da austeridade
Crise leva ao abandono de crianças
A roda dos enjeitados

A crise está a provocar o aumento preocupante do abandono de crianças na Europa, onde a roda dos enjeitados, mecanismo medieval há muito abandonado, está a alastrar em vários países.

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Segundo dados da organização Aldeias de Crianças SOS, citados pela cadeia de televisão norte-americana CNBC (9.08), cerca de 1200 crianças foram abandonadas no ano passado na Grécia e outras 750 em Itália.

Um ano antes, 400 crianças tinham sido abandonadas em Itália, enquanto na Grécia, o número de casos registados em 2003 foi de 114.

Ao mesmo tempo, de acordo com a mesma fonte, têm vindo a ressurgir as «rodas dos enjeitados», locais para depositar anonimamente recém-nascidos que foram abolidos no nosso País em 1897, mas que estão de novo a alastrar, existindo já em 11 países europeus, nomeadamente Portugal, Itália e mesmo na Alemanha.

Em simultâneo, está aumentar também o número de crianças abandonadas em hospitais, clínicas e igrejas, o que é visto como uma consequência directa das políticas de austeridade que deixam as famílias sem meios para criar os seus filhos.

A Aldeias de Crianças SOS prevê um agravamento destes casos, notando que a despesa para criar uma criança representa entre 20 e 30 por cento do orçamento familiar.

O director desta organização na Grécia, George Protopapas, constata que as famílias, que já antes lutavam para manter as suas casas, debatem-se agora com grandes dificuldades para vestir e alimentar os seus filhos.

Protopapas cita o exemplo de uma criança deixada numa enfermaria pela sua mãe com a seguinte nota: «Não virei buscar a Ana porque não tenho meios para cuidar dela. Por favor tratem bem dela. Lamento.»

As estatísticas oficiais revelam que 27,7 por cento dos gregos já vivem numa situação de penúria. Mas se neste momento a miséria ainda afecta principalmente as camadas mais desfavorecidas, Protopapas prevê as famílias das «classes médias» conhecerão grandes carências nos próximos dois anos. «Provavelmente precisarão de ser ajudadas para sobreviver».

A mesma opinião tem Stergios Sifnios, director do trabalho social da organização, que nunca viveu uma situação similar em 30 anos de actividade no sector. «Receamos seriamente que no futuro haverá um grande número de famílias que não vão conseguir manter os seus filhos por razões económicas».



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