• Rui Paz

São eles que há anos andam a saquear as receitas do Estado
Da «Europa connosco»<br>à «Mais Europa!»

Durão Barroso pronunciou no início de Setembro em Estrasburgo um discurso

desastroso que lhe foi soprado pelas burguesias monopolista das grandes potências da UE e dos países periféricos, as quais cada vez mais isoladas e desacreditadas vêem no «federalismo» e num «super-Estado europeu» o seguro de vida para a sua política de exploração e opressão dos trabalhadores e dos povos dos seus países. A marcha para o abismo dos povos da UE que se acentuou com Maastricht, o euro, o BCE e o Tratado de Lisboa, e que agora se pretende aprofundar com o chamado Pacto Orçamental contou desde o início com a oposição dos trabalhadores e dos povos submetidos ao jugo do grande capital europeu.

O
partido único europeu constituído pelas suas duas principais componentes, a democracia-cristã e os partidos socialistas e social-democratas, optaram, sempre que lhes foi possível, por proibir os povos de se pronunciarem sobre as decisões que foram tomando. São eles que há anos andam a saquear as receitas do Estado, privatizando bancos e empresas públicas lucrativas e oferecendo receitas fiscais ao grande capital privado para depois nos virem dizer que o Estado não tem dinheiro para cumprir as suas funções sociais e que é preciso emagrecê-lo ainda mais. São eles que têm andado a liquidar os direitos laborais e as conquistas civilizacionais obtidas pelas lutas dos trabalhadores sob a influência da edificação do socialismo no século XX e a derrota do nazi-fascismo. Foram eles que, como declarou o chanceler alemão social-democrata Gerard Schröder «quebraram com o tabu da guerra». Hoje em cada vez mais países encontram-se soldados de quase todos os estados da UE integrados na NATO e noutros tipos de alianças, envolvidos em intervenções armadas, acicatando conflitos étnicos e religiosos e massacrando povos soberanos. É este o programa que se esconde por detrás da chamada «Mais Europa» ou de «Uma Europa política» e cujo aprofundamento Durão Barroso defendeu ao incitar à criação de uma «federação de estados». Como sublinha a nota do Gabinete de Imprensa dos deputados do PCP no PE, esse caminho conduz à constituição de «um bloco de natureza imperialista com relações de tipo colonial no seu seio».

A
s gerações que não viveram o 25 de Abril não sabem que no início da fundação da CEE, a qual se transformaria mais tarde na UE, os partidos socialistas e social-democratas apregoavam a «Europa do trabalhadores» e até uma «Europa socialista». Mário Soares que em 1976 para ganhar as eleições inventou o lema da «Europa connosco» proclamava que o Partido Socialista era contra a «Europa dos trusts» e pela «Europa dos trabalhadores». Dizia ser contra «a aproximação de Portugal às Comunidades Europeias numa perspectiva puramente capitalista» a qual «não correspondia aos interesses do povo português» e se afastava «dos imperativos de uma verdadeira independência nacional condicionando a transformação da sociedade portuguesa a caminho do socialismo». Este palavreado não impediu o dirigente do PS e o seu partido, uma vez no governo, de se transformarem em aplicados constructores da Europa dos monopólios e em ardentes coveiros da soberania nacional.

H
oje, face à política fraudulenta praticada, seria o descrédito total se um partido socialista ou social-democrata viesse afirmar que defendia uma «Europa dos trabalhadores» ou de povos soberanos e iguais em direitos.

É esse o motivo pelo qual o partido único europeu adoptou agora um novo slogan de tipo chauvinista e imperialista: «Mais Europa!». Assim é frequente ouvir-se de manhã, inclusive de sectores que se reclamam da «esquerda» afirmar que a solução para a crise é «Mais Europa!». À tarde, a social-democracia repete a mesma ladainha. E à noite, os chefes de governos democratas-cristãos ou conservadores encerram a prece com invocação idêntica.



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