A preparação do Congresso contou com uma ampla participação militante
Comité Central do PCP ultima preparação do XIX Congresso
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A preparação do XIX Congresso do PCP, que se inicia amanhã em Almada, dominou os trabalhos da reunião do Comité Central realizada no fim-de-semana, que aprovou as propostas de Resolução Política, de alterações ao Programa do Partido e de composição do Comité Central a apresentar aos delegados. Na conferência de imprensa, Jerónimo de Sousa valorizou a participação dos militantes e das organizações.

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Com esta reunião culmina a preparação do XIX Congresso do PCP, que tem lugar amanhã, sábado e domingo no Complexo Municipal dos Desportos «Cidade de Almada» (mapas e acessos nas páginas 8 e 9). A decisão final caberá aos delegados que, com a sua opinião e o seu voto, munirão o Partido de três importantes instrumentos: o Programa, actualizado às novas condições; uma Resolução Política com as análises, propostas e prioridades de intervenção do Partido; uma direcção forte e coesa, capaz de enfrentar os duros embates que esperam os comunistas nos próximos anos. 
Marcado pelo Comité Central no dia 8 de Dezembro do ano passado, o XIX Congresso entrou definitivamente no dia-a-dia da organização do Partido após a reunião do CC de finais de Fevereiro, que fixou as fases preparatórias e definiu o conjunto de matérias centrais para o debate das Teses/Projecto de Resolução Política e as linhas de orientação relativas ao projecto de alterações ao Programa do Partido. A 22 e 23 de Setembro, os dois documentos foram aprovados e colocados à discussão da organização partidária, iniciando-se a terceira fase de preparação do Congresso.
Na habitual conferência de imprensa de apresentação das conclusões do Comité Central, realizada no domingo à tarde, Jerónimo de Sousa fez um primeiro balanço da preparação do XIX Congresso, valorizando a «elevada participação dos militantes e organizações do Partido». No que respeita ao número de propostas de alteração ao Programa ou às Teses que chegaram às comissões de redacção, o Secretário-geral do Partido garantiu ser o «maior dos últimos três congressos». Os documentos aprovados incorporam centenas de alterações.
Este dado ganha uma relevância ainda maior tendo em conta as imensas tarefas que os comunistas tiveram entre mãos nestes meses. Entre elas destaca-se, pela sua importância e dimensão, a campanha de recrutamento (saldada até ao momento por mais de 1000 novos militantes para o Partido) e a dinamização da luta de massas contra aquela que é a mais violenta ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e do povo desde o fascismo. Só desde Fevereiro deste ano, tiveram lugar duas greves gerais e várias manifestações e acções de luta de carácter nacional, sectorial ou local – nas quais os comunistas estiveram, como sempre, na primeira linha.

Pôr fim ao desastre
Na conferência de imprensa, Jerónimo de Sousa manifestou ainda a sua confiança em que o XIX Congresso do Partido «corresponderá às aspirações e necessidades dos trabalhadores, do povo e do País de ruptura com uma política e com este Governo de desastre nacional». Uma ruptura que, acrescentou, tornou-se ainda mais urgente «face à profunda e sistemática deterioração da situação económica e social do País e à perspectiva que se apresenta do seu brutal agravamento».
A situação actual, realçou, é «cada vez mais marcada por uma profunda recessão económica de oito trimestres consecutivos, um desemprego histórico e em crescimento, um generalizado processo de regressão social e de empobrecimento dos portugueses». Tudo isto se tornará «mais ameaçador e trágico» com a aprovação e concretização do Orçamento do Estado para 2013. 
Partindo da ideia de que o Orçamento não só não resolverá nenhum dos problemas nacional como agravará a dívida pública e terá «mais devastadoras consequências no plano económico e social», sendo mesmo o «pior Orçamento de Estado de que há memória na nossa vida democrática», Jerónimo de Sousa realçou que o Comité Central do Partido «valoriza e saúda a luta dos trabalhadores e do povo português contra este Orçamento e esta política de ruína nacional». Especial destaque mereceu a «grande e expressiva greve geral do passado dia 14 de Novembro», revelou o dirigente comunista.
A responsabilidade do Presidente da República de «fazer a opção entre continuar a submeter-se ao rumo de desastre nacional e de ofensa a direitos fundamentais dos portugueses ou, finalmente, dar um sinal de que o compromisso assumido em defesa da Constituição da República não é palavra oca»; o Orçamento da União Europeia e a «boa base» que o Governo vê para um acordo (apesar de estar previsto significar a perda para Portugal de milhares de milhões de euros); e o «apregoado sucesso» da sexta avaliação da «troika» foram outras questões salientadas por Jerónimo de Sousa. 


Afirmar a alternativa
O Secretário-geral do Partido reafirmou ainda, na conferência de imprensa, a ideia de que «com este Governo do PSD e do CDS-PP e com a sua política não há uma saída com futuro para o País». Assim, continuou, a cada dia que passa «afirma-se com inequívoca actualidade a premência de encontrar um outro rumo alternativo, assente numa política patriótica e de esquerda, que tenha como objectivos o aumento da produção nacional e do emprego, a elevação das condições de vida dos trabalhadores e populações, o controlo público dos sectores estratégicos, o apoio efectivo às PME, a defesa e afirmação da soberania».
Trata-se, pois, de um outro rumo, que exige a rejeição do pacto de agressão e a imediata renegociação da dívida determinada pelos interesses nacionais. Um outro rumo que «exige a derrota deste Governo e desta política». Jerónimo de Sousa garantiu, a terminar, que o XIX Congresso do Partido não deixará de dar resposta a esta solução alternativa, «apontando o caminho do relançamento do País na senda do progresso e do desenvolvimento».


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