A semana
de luta culmina
na manifestação
de sábado
Decididas novas acções nos transportes
Unidade e luta contra roubos
Os trabalhadores dos transportes e comunicações fizeram desta semana um importante marco no reforço da unidade e no desenvolvimento da luta, contra o roubo de salários e direitos e pela defesa do serviço público.

LUSA

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Promovida por cerca de três dezenas de estruturas representativas – comissões de trabalhadores de diversas empresas e sindicatos filiados ou não na Fectrans/CGTP-IN – a semana de lutas começou ainda na quinta-feira passada, 28 de Fevereiro, com as greves parciais na Rodoviária do Tejo, marcadas até ontem, das 3 às 10 horas. «Tal como em greves anteriores, a adesão continua elevada», informou a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, no primeiro dia. Na segunda-feira, no distrito de Santarém, a adesão subiu.

Também no dia 4, durante um plenário que interrompeu a ligação fluvial entre Lisboa e o Barreiro, os trabalhadores da Soflusa decidiram insistir na exigência de integração dos subsídios no salário-base, bem como desencadear a revisão do Acordo de Empresa, em especial para valorização dos salários, como disse à agência Lusa um dirigente da Fectrans. Frederico Pereira adiantou que os trabalhadores querem clarificar o direito a transporte gratuito na Soflusa e na CP (de onde vieram transferidos trabalhadores com garantia desse direito).

Ainda no primeiro dia da semana, os oito sindicatos representativos praticamente da totalidade dos trabalhadores da TAP, formalizaram no Ministério da Economia a convocação de uma greve de três dias, com início a 21 de Março e abrangendo também a Portugália, SATA Açores e SATA Internacional. Como assinalou um dirigente, esta foi a primeira vez que tão ampla unidade se registou, em toda a história da empresa. As perdas salariais chegam aos 26 por cento, em três anos, e são apontadas como motivo para a saída de quadros altamente qualificados. Os cortes impostos pelo Governo, que os trabalhadores viram dias antes nas folhas de vencimento, acabam por representar uma redução de 10 a 15 milhões de euros nas receitas do Estado.
Nessa tarde, uma delegação de activistas da Comissão de Trabalhadores fez a entrega simbólica, no Ministério de Santos Pereira, de um «bilhete de ida para Toronto», como forma de protesto contra a política do Governo relativamente ao transporte aéreo e aos trabalhadores.

À noite, num plenário do pessoal da Vimeca, foi admitido recorrer à greve, caso a empresa não legalize o serviço para o centro comercial Alegro, em Alfragide, num prazo de quinze dias.

Foi lançada uma petição, contra a retirada do direito ao transporte gratuito de trabalhadores e familiares, que só na segunda-feira recolheu mais de mil assinaturas.

Na terça-feira, num plenário frente à sede executiva, os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa decidiram convocar nova greve, para dia 20, contra a privatização da empresa e a liquidação de postos de trabalho, que se somam aos cortes nos subsídios de férias e de Natal e à redução dos salários e do pagamento do trabalho suplementar.

Entre as 8 e as 16 horas de anteontem, com adesão praticamente total, estiveram em greve os trabalhadores da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto. Apoiando a luta e os seus objectivos, o Secretário-geral da CGTP-IN alertou que a concessão das linhas rentáveis a privados iria retirar direitos aos trabalhadores e aos utentes e provocaria aumentos de preços. Arménio Carlos interveio no plenário realizado junto à sede da STCP, na torre das Antas, onde foi aprovada uma moção, a reclamar da administração a negociação do Acordo de Empresa, para garantir direitos como o subsídio de turno, o pagamento do trabalho suplementar e o descanso compensatório, o transporte de familiares. Com cortes salariais acima de 20 por cento, porque sofreram restrições impostas na Administração Pública e no sector privado, os trabalhadores mandataram os sindicatos para novas formas de luta, incluindo a greve, como disse à Lusa o presidente do SNM, Jorge Costa.

Uma «jornada de indignação e luta» foi realizada na EMEF, pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, com concentrações no Porto (Campanhã), Entroncamento, Lisboa (Cais do Sodré) e Pinhal. O SNTSF, da Fectrans/CGTP-IN, deu assim seguimento à luta contra a destruição da empresa (afirmando o seu lugar estratégico na produção, manutenção e conservação de material circulante) e em defesa dos postos de trabalho e do AE, contra o roubo dos direitos e dos salários.
Estes motivos foram explicados à população. Foram ainda efectuados cortes simbólicos da circulação ferroviária, no Pinhal Novo, durante 20 minutos, e no Entroncamento, por quase três horas.

As greves de dia 6, na CP e CP Carga começaram com adesão praticamente total, à excepção dos serviços chamados mínimos, informou a federação, considerando que «esta é mais uma forte demonstração do descontentamento e revolta dos ferroviários, que se sentem roubados no trabalho, nos salários e nos direitos, e é uma luta que regista uma grande unidade na acção, envolvendo as diversas organizações sindicais». Hoje está em greve o pessoal da Refer.

Na Scotturb, a marcação da greve para ontem levou a administração a publicar um anúncio de recrutamento de motoristas, a oferecer condições remuneratórias que tem negado aos actuais efectivos. Para a madrugada de quarta-feira, pouco antes do início da greve, o STRUP, sindicato da Fectrans, convocou um plenário onde iriam ser decididas medidas de resposta à empresa.

Para amanhã estão convocadas greves na Transportes Sul do Tejo (todo o dia 8 de Março, realizando-se plenários ao fim da manhã) e na Rodoviária de Lisboa (entre as 3 e as 14 horas, com plenário às 10 horas, junto da administração).




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