• Ângelo Alves

Dias negros

A passada segunda-feira era o dia em que o Governo tinha jurado a pés juntos que Portugal «ia regressar aos mercados». Mas afinal não foi! Não espanta que assim seja! Os «mercados», ou seja o grande capital financeiro que enriquece à custa da crise, da exploração e da destruição económica e social de países como Portugal, continua a comportar-se de acordo com os seus interesses e de acordo com as portas que a política de direita lhe escancara.

Também não espanta a triste e elucidativa troca de «piropos» entre PS e PSD sobre a tal «não ida aos mercados». Vejamos: disse o PS que segunda-feira «foi um dia negro para Portugal», que «a questão fundamental é o Governo reconhecer que a sua estratégia falhou». Do lado do PSD a resposta não se fez esperar. Marco António Costa diz que não. Que afinal o dia negro para Portugal foi o dia 17 de Maio de 2011 (dia da assinatura do pacto de agressão pelo PS, PSD e CDS) e que o PS quer um segundo resgate para Portugal; o PS diz o mesmo do PSD. O PS diz que a aplicação do pacto que assinou falhou, o PSD diz que está a aplicar o pacto que o PS assinou.

Parece confuso, mas não é! É até muito simples! É que a tal «estratégia» de que o PS fala é a sua própria estratégia de facto, que por sua vez é também a estratégia do PSD, que por sua vez é ainda e também a «estratégia» dos «mercados», a mesma que está plasmada no pacto de agressão de que todos são subscritores. E é por isso que se acusam mutuamente, empurram com a barriga os tais «dias negros» e tentam sacudir a responsabilidade de Portugal estar à beira de um segundo pacto de agressão.

Mas a realidade que PS e PSD ocultam com esta troca de acusações sobre os «negros dias» deste País, é que não foi só o dia de ontem e o 17 de Maio que o foram. Dias negros temos tido todos os dias. Aqueles que sofrem na pele com a velha política de direita e do pacto de agressão, aqueles que vão ao mercado e sentem na carteira a falta de dinheiro que é roubado para dar aos «mercados», esses sabem bem o quão negros têm sido os dias que PS, PSD e CDS impõem ao País. Essa é que é a realidade. Uma realidade que no próximo domingo pode começar a ser mudada, com o voto na CDU, a força da mudança, a força da luta, a força que luta!




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