• Albano Nunes

Um povo unido e determinado a quebrar as grilhetas da opressão é invencível
Giap<br>- memória do Vietname

Faleceu Vo Nguyen Giap, o célebre General vietnamita, grande estratega da guerra popular de libertação. O seu nome ficará para sempre ligado à libertação e unificação do Vietname sob a bandeira do socialismo e a históricas derrotas impostas ao invasor estrangeiro pela luta patriótica e revolucionária do povo vietnamita contra o ocupante japonês, o colonialismo francês e o imperialismo norte-americano.

Giap foi uma daquelas raras personalidades que, produto da própria agudização das contradições sociais, são chamadas a protagonizar os grandes combates e transformações que fazem andar para diante a roda da História. Por isso mesmo, o papel revolucionário que ao lado de Ho Chi Minh desempenhou, é inseparável do seu povo, do seu partido, do seu ideal e projecto de uma nova sociedade livre da opressão nacional e da exploração de classe,

Giap e os seus camaradas e companheiros do Partido Comunista, da Frente de Libertação Nacional e do Exército Popular, confirmaram uma tese central do marxismo-leninismo: as ideias quando ganham as massas tornam-se uma poderosa força material. E demonstraram que um povo unido e determinado a quebrar as grilhetas da opressão é invencível. Mesmo quando tem de enfrentar o mais poderoso, implacável e criminoso exército do mundo numa guerra,  como sucedeu no Vietname em que os EUA despejaram milhões de toneladas de bombas sobre o Norte e o Sul do país dividido, prenderam, torturaram e assassinaram milhões de vietnamitas, utilizaram bombas de napalm, de fósforo, de gás mostarda e outras armas químicas proibidas, destruíram tudo quanto puderam numa senda de crimes que só encontra paralelo nas hordas nazis.

É muito grande a contribuição do General Giap, com o seu povo, para o avanço impetuoso do movimento de libertação nacional que conduziu à derrocada dos impérios coloniais. Na sequência da célebre batalha de Dien Bien Phu (1954), o arrogante colonialismo francês somou derrota sobre derrota culminando com o desenlace vitorioso da revolução argelina. As forças que conduziram à independência de numerosos países da Ásia e África, contando com o apoio e solidariedade do campo dos países socialistas, articularam a sua acção (Conferência de Bandung, Movimento dos Países Não Alinhados, OSPAAL) fazendo ouvir bem alto a sua voz na ONU e noutras instâncias internacionais. A humilhante derrota imposta ao agressor norte-americano abalou o edifício imperialista, gerando mesmo o que ficou conhecido como o «síndrome do Vietname» de que os EUA nunca se recompuseram inteiramente.

A roda da História deu entretanto um grande salto para trás. O desaparecimento da URSS e as derrotas do socialismo deram um novo fôlego ao capitalismo. A contra-ofensiva exploradora e agressiva do imperialismo aí está, violenta, a redividir o mundo e a recolonizar o planeta. Mas o refluxo será temporário. É inevitável uma nova vaga do movimento de libertação nacional, anti-imperialista e ainda mais acentuadamente anti-capitalista.

No processo revolucionário vietnamita as componentes nacional e de classe combinaram-se dialecticamente de modo exemplar e a libertação nacional tomou o rumo da edificação do socialismo. Na época em que vivemos, percorrendo etapas e vias diversificadas, é esse o caminho da transformação social em todo o mundo. O que reforça a necessidade dos partidos comunistas, do seu enraizamento nas massas e da sua cooperação internacionalista. Tarefa urgente que encontra na trajectória revolucionária do camarada Giap uma fonte de inspiração magnífica.




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