O Governo acelera porque sabe que está condenado
Milhares nas ruas do Porto com a CGTP-IN
Luta a crescer

A luta nos locais de trabalho e nas ruas aumenta, tem resultados, eleva a consciência social e política e reduz a base de apoio dos partidos do Governo, mostrando que «os trabalhadores e o povo não aceitam a continuação da política de direita, exigem a demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas, para acabar com o empobrecimento generalizado, a exploração galopante e o saque permanente que nos querem impor».

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A afirmação com que o Secretário-geral da CGTP-IN iniciou a sua intervenção, no sábado passado, na Praça da Liberdade, reflectiu o que se tinha acabado de ver, durante a manifestação de milhares de trabalhadores dos distritos do Porto, Aveiro, Coimbra, Viseu, Bragança, Vila Real, Viana do Castelo e Braga, desde a Praça do Marquês.

Arménio Carlos dedicou particular atenção aos mais recentes passos do Governo, depois de lembrar que nunca, como nas eleições de 25 de Maio, os partidos da coligação que o suporta tiveram um resultado tão desastroso e penalizador e que «nunca as forças políticas que trouxeram a troika, e com ela acordaram o memorando que agrediu e humilhou o povo e o País, tiveram um resultado eleitoral tão reduzido». Assinalou ainda que «a luta dos trabalhadores e das populações deu um contributo decisivo para a eficácia e sentido político de um voto que dá ainda mais motivação e vitalidade à continuação da luta por uma política de esquerda e soberana».

A pressa
do condenado

Com os resultados da sua acção a desmentirem as declarações que os governantes têm feito, «a legitimidade política deste Governo para continuar em funções é igual a zero» e «eles sabem que o seu tempo de governação se estreita», «sabem que estão condenados e por isso querem avançar, a toda a velocidade, com mais medidas facilitadoras dos despedimentos, do embaratecimento dos salários e da generalização da precariedade dos vínculos laborais».

Arménio Carlos acusou ainda Passos Coelho e Paulo Portas de pretenderem «aproveitar o período de Verão, o futebol, os santos populares e as férias para, sorrateiramente e pela calada, tentarem desmantelar um dos alicerces fundamentais da nossa democracia: a contratação colectiva». Criticou «a nova troika, formada pelo Governo, confederações patronais e UGT», porque «com a proposta de lei que se encontra em discussão até ao dia 26 de Junho, pretende destruir a contratação colectiva, reduzir direitos e retribuições e prolongar o período para a redução do valor do trabalho extraordinário até final do ano». O dirigente da CGTP-IN sublinhou que «este é um processo perverso, que pretende favorecer a relação individual de trabalho, para destruir a contratação colectiva conquistada e consolidada por gerações de homens e mulheres, antes e depois do 25 de Abril».

Mereceu igualmente resposta o apelo feito pelo Presidente da República. Arménio Carlos notou que «o apelo ao compromisso e ao consenso em Portugal torna-se o último reduto da propaganda e do populismo, sempre que a direita está em dificuldades e as contradições da política de mentira se tornam indisfarçáveis». No entanto, «a saída não passa pela reconstituição da União Nacional de outros tempos, para condenar o País ao retrocesso», antes requer «a rejeição desta política e a demissão do Governo, para pôr o País no rumo do desenvolvimento, progresso e justiça social».

 

Sábado em Lisboa

Neste sábado, dia 21, em Lisboa, a CGTP-IN promove mais uma grande manifestação, com objectivos comuns à que encheu a baixa do Porto no dia 14. Para o Rossio vão convergir milhares de trabalhadores que começam por se concentrar às 15h30 em dois locais:

- no Campo das Cebolas, aqueles que estão organizados nas estruturas sindicais e comissões de trabalhadores dos distritos de Lisboa, Leiria, Santarém e Castelo Branco;

- no Cais do Sodré, as organizações dos distritos de Setúbal, Faro, Beja, Évora e Portalegre.

O Conselho Nacional da CGTP-IN, reunido no dia 17, reafirmou o apelo à intensificação da luta. Para dia 25, quarta-feira, está convocado o Plenário de Sindicatos.




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