As acções de luta ficaram marcadas por elevadas adesões
Enfermeiros, trabalhadores do Metro e funcionários judiciais em greve
Forte onda de protesto

As greves foram expressão da forte contestação à política do Governo, da defesa do investimento no serviço público, da valorização profissional e de condições dignas para os utentes.

A greve dos enfermeiros, nos dias 24 e 25, teve uma adesão superior a 80 por cento, revelaram o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses e o Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira. Na concentração que várias dezenas de profissionais realizaram, dia 25, junto à Secretaria Regional dos Assuntos Sociais, no Funchal, Juan Carvalho, do SERAM, afirmou à Lusa que o nível de adesão era bem demonstrativo «do descontentamento e da revolta que os enfermeiros sentem pela não resolução dos problemas que afectam a classe».

Também no segundo dia de greve, em Lisboa, cerca de 600 enfermeiros concentraram-se frente ao Ministério da Saúde, numa acção que contou com a solidariedade e o apoio de Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-IN, e da deputada comunista Carla Cruz. O presidente do SEP destacou a adesão à greve, bem como a falta de resposta adequada por parte da tutela às graves carências de profissionais em todas as instituições do Serviço Nacional de Saúde.

A questão, vincada pelas estruturas sindicais na sequência das reuniões realizadas nos dias 17 e 22 com representantes do Ministério da Saúde, foi também expressa na resolução emitida pelo SEP e SERAM no dia 25: as contratações anunciadas pelo Ministério estão longe de responder à grave carência de enfermeiros nas instituições do SNS; as condições impostas à negociação de um Acordo Colectivo de Trabalho são inaceitáveis; não houve a necessária resposta ao desenvolvimento na carreira de milhares de enfermeiros especialistas, para além de todo um conjunto de outras matérias não ter sido atendido.

Para inverter a política de desinvestimento no SNS, com o consequente agravamento das condições de trabalho dos enfermeiros e a degradação da prestação de cuidados aos utentes, SEP e SERAM anunciam que: mantêm as suas exigências; vão intervir junto dos grupos parlamentares e da Comissão Parlamentar da Saúde; exigem ao Ministério o agendamento de uma nova reunião negocial. Se não houver resposta positiva aos problemas dos enfermeiros, manifestam total disponibilidade para novas acções de luta.

No Metro

Com uma adesão quase total, os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa cumpriram uma greve de 24 horas no dia 25, para exigir a manutenção da componente social do serviço público prestado pela empresa, a reposição do quadro de trabalhadores e o investimento necessário ao serviço com a qualidade e segurança a que os utentes têm direito, o fim dos roubos nos salários e nas reformas, e o cumprimento integral do Acordo de Empresa.

De quarta para quinta-feira, Arménio Carlos esteve com algumas dezenas de trabalhadores que se concentraram junto às instalações do Metro no Marquês de Pombal para assinalar o início da greve. Em declarações à comunicação social, o secretário-geral da Inter afirmou que a perspectiva de «uma nova parceria público-privada», em que «o Estado fica com as responsabilidade de pagar as dívidas e os privados entram para a gestão, para fazer negócio e lucro», não é boa nem para os trabalhadores, cujos direitos são postos em causa, nem para os utentes, que podem ver-se confrontados com a degradação do serviço e com o aumento de tarifas. Afirmou ainda que a «municipalização» não é, de todo, uma solução viável, «podendo traduzir-se na antecâmara da privatização».

Numa nota publicada no seu portal, a Fectrans/CGTP-IN afirma que «os trabalhadores do ML não se resignam e não baixam os braços» e que «continuarão a lutar em defesa de um serviço de qualidade, seguro e com preços sociais para os utentes e pela melhoria das suas condições de vida e trabalho».

Funcionários judiciais

No dia 26, a greve de 24 horas convocada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais conheceu uma adesão superior a 85 por cento. Na nota em que aponta esse número, o sindicato afirma que os funcionários não podiam deixar de lutar pelos seus direitos, mas também pelos dos cidadãos, pela Justiça e o Estado de Direito; não podiam ficar indiferentes à inoperância do Citius, à brutal redução de quadros, à redução cega de chefias em virtude da reorganização do mapa judiciário. Caso o Ministério da Justiça não atenda aos seus problemas, a luta dos funcionários judiciais irá prosseguir todo este mês, com paralisações nas diversas comarcas do País. Os funcionários judiciais exigem: a imediata abertura de procedimento para ingresso dos oficiais de Justiça em falta; o início imediato da negociação do estatuto sócio-profissional; o descongelamento imediato das promoções para todas as categorias e a abertura de concursos de acesso aos lugares de chefia; a regularização do regime de aposentação dos funcionários judiciais nos termos da excepção criada por deliberação da AR.



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