Depois
da greve,
viu-se que há
dinheiro
para salários
Confirmou-se na CNB/Camac e na Atlantic Ferries
A luta resulta

Só com recurso à greve a CNB/Camac pagou os salários em dívida e a Atlantic Ferries abandonou a ideia de substituir aumentos salariais por «prémios».

Ocorrem greves em várias outras empresas, na sua maioria por reivindicações salariais que as administrações não pretendem satisfazer, mesmo quando a «crise» não pode servir de pretexto.

 

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Na Preh, as primeiras greves de uma hora por turno, nos dias 22 e 23, tiveram adesão plena. O SITE Norte salientou que a filial da multinacional na Trofa, aproveitando os favores dos governos, passou de oito milhões de euros de lucros anuais, antes de 2011, para os actuais 14 milhões, mantendo o número de 750 trabalhadores. Estes rejeitam o miserável aumento de um por cento e vão decidir linhas de luta futuras, pela proposta sindical de três por cento, depois da greve de amanhã e sábado


 

Na CNB/Camac, em Santo Tirso, a greve foi total, prolongou-se por um semana, de dia 15 até à passada sexta-feira, e a concentração dos trabalhadores na entrada chegou a impedir a entrada e saída de mercadoria, como informou o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte. A luta foi desencadeada para exigir o pagamento dos salários de Abril e do subsídio de Natal de 2014. Só durante o fim-de-semana foi cumprida a promessa da administração de liquidação dos salários, o que levou a que os trabalhadores decidissem retomar a laboração esta segunda-feira, como revelou à agência Lusa um dirigente do sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN, esperando que o atraso não se repita com os salários de Maio.
Desde 2008, os trabalhadores da única fabricante portuguesa de pneus têm recorrido a greves e outras formas de luta, pelo pagamento de salários a tempo e horas e pela viabilização da CNB/Camac. A última greve tinha ocorrido a 18 de Julho.
No sábado, dia 23, no início do quarto fim-de-semana consecutivo de greves de duas horas por turno, com adesão total, os trabalhadores da Atlantic Ferries reuniram-se em plenário e decidiram aceitar a proposta que a administração tinha apresentado na véspera, suspendendo de imediato as paralisações. A empresa do Grupo Sonae, que explora a ligação fluvial entre Setúbal e Tróia, não aceitou o aumento salarial que era reivindicado, mas aceitou aumentar o valor das diuturnidades, desistindo da intenção de qualquer actualização ser feita por via de «prémios». Os trabalhadores, por seu turno, exigiram garantias de que nenhum trabalhador ficará excluído deste aumento e a atribuição de trabalho extraordinário será feita em regime de rotatividade.

«Os trabalhadores da Atlantic Ferries estão de parabéns pelo que conseguiram com esta luta», disse Arménio Carlos aos jornalistas. O secretário-geral da CGTP-IN, que participou no plenário em Setúbal, comentou que os trabalhadores «queriam que qualquer actualização fosse integrada numa retribuição fixa, não o conseguiram pelos salários, conseguiram pelas diuturnidades» e estas são «componentes fixas da retribuição». Logo, «independentemente do que a Sonae quiser fazer amanhã, já não pode retirar este aumento salarial».
Arménio Carlos, ainda citado pela agência Lusa, observou que «se a Sonae tivesse tido outro tipo de abertura, logo no início do processo, provavelmente não seriam necessárias as greves que causaram alguns problemas aos utentes».
A União dos Sindicatos de Setúbal tinha lembrado, ao noticiar o plenário de dia 23, que a Atlantic Ferries também tentou retirar direitos do Acordo de Empresa, em vigor, apesar de beneficiar, há cerca de um ano, de um aumento substancial dos preços e da mudança do sistema de bilhética.
«Perante a luta, a administração acabou por reconhecer que há dinheiro para aumentar salários», comentou a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, ao início da noite de sábado.

Uma greve por aumentos salariais, progressão nas carreiras e fim de discriminações (salariais e outras) iria começar ontem, na Euroresinas, também do Grupo Sonae. A luta na fábrica de resinas sintéticas, em Sines, foi convocada até às 24 horas do próximo dia 5, sexta-feira. O SITE Sul explicou que os trabalhadores «consideram totalmente inaceitável que a administração ignore aqueles que produzem a riqueza, desprezando o seu legítimo direito à negociação e actualização justa dos salários, enquanto continua a pagar prémios chorudos a alguns».

Os trabalhadores da Automóveis Citroen (Grupo PSA) marcaram uma série de greves de uma hora, por um aumento real dos salários e pela efectiva negociação das suas reivindicações, apresentadas pelos sindicatos da Fiequimetal em Novembro. No dia 19, em Sacavém, a Comissão Intersindical, a Comissão de Trabalhadores, representantes para a Segurança e Saúde no Trabalho e dirigentes sindicais expressaram, numa declaração conjunta, «desagrado» pelo facto de a administração ter recusado marcar nova reunião, depois de não ter respondido «a nada do que estava em cima da mesa» nas reuniões de 17 de Dezembro e 1 de Abril.
Em plenários, na manhã de anteontem, dia 26, foi decidido suspender a greve deste primeiro dia, aguardando que a administração marque com urgência uma reunião de negociação. As greves seguintes estão agendadas para hoje e amanhã e para dias 2, 5 e 6 de Junho.
Os organismos representativos dos trabalhadores exigem que o «Acordo-Quadro Mundial» seja aplicado no dia-a-dia em cada uma das empresas do Grupo PSA e registam que, em comunicados patronais emitidos nas sucursais de Sacavém e Setúbal, foram reconhecidas melhorias significativas dos resultados e afirmou-se mesmo que, em França, os trabalhadores irão receber um prémio de desempenho no valor mínimo de 1 094,00 euros.

 

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Na Flexipol uma greve de quatro dias, de terça a sexta-feira da semana passada, demonstrou a grande indignação dos trabalhadores perante os lucros da empresa e os aumentos chorudos atribuídos a alguns, enquanto para o pessoal da produção, que já tem os salários mais baixos, a proposta patronal está em 1,5 por cento. O SITE Centro-Norte apresentou queixa à ACT, porque no primeiro dia o piquete de greve foi impedido de entrar nas instalações, em São João da Madeira

 

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Na Eurospuma, a greve nos dias 20 e 21 teve grande adesão, comprovando que os trabalhadores estão mobilizados para manter a luta. O SITE Centro-Norte explicou que os salários não são actualizados há mais de dez anos, mas a alguns a empresa de Espinho paga muito acima da média. A administração pretende ainda deixar de aplicar o contrato colectivo de trabalho das indústrias químicas, para retirar direitos aos trabalhadores

 

 



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