Trabalham
lado a lado,
com igual remuneração,
e exigem ter
horário igual
Prosseguem as greves nas instituições
Enfermeiros unidos na luta

Com muito fortes índices de adesão às greves e com grande combatividade demonstrada em acções de rua, enfermeiros do Algarve, de Coimbra e da Figueira da Foz deram início à luta nacional em instituições de Saúde.

Depois das greves distritais, a 28 de Julho, e nacional, no dia seguinte, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses orientou para hospitais o «plano nacional de luta» pelas 35 horas semanais para todos, pela entrada de mais profissionais de enfermagem, em falta na maioria dos serviços, pelo respeito das normas sobre organização dos horários de trabalho e pela justa remuneração de todo o trabalho extraordinário realizado (sem excluir cerca de nove mil enfermeiros a contrato individual de trabalho, que têm um período normal de trabalho de 40 horas por semana, com remuneração idêntica aos colegas em regime de funções públicas).

No IPO de Coimbra a greve de dia 10 teve uma adesão de 81 por cento; ainda segundo a direcção regional do SEP/CGTP-IN, nesse mesmo dia a greve no Hospital Distrital da Figueira da Foz contou com 85 por cento.
Enfermeiros em greve destas duas instituições concentraram-se frente à Administração Regional da Saúde do Centro, em Coimbra, e foram recebidos pelo conselho directivo da ARS, a quem expuseram os motivos da luta.

No Centro Hospitalar do Algarve, a greve começou no Barlavento, dia 9, com níveis de adesão de 84 por cento (turno da noite), 80 por cento (manhã) e cem por cento (tarde). Durante a manhã, dezenas de enfermeiros concentraram-se na entrada do Hospital de Portimão, exibindo faixas com reivindicações dirigidas ao primeiro-ministro e à administração do CHA.
Foi aqui criticado o anúncio da admissão de 80 enfermeiros até ao final do ano. Como explicou um dirigente do SEP, este número é insuficiente, pois as necessidades conhecidas apontam para uma falta de 462 profissionais. Nuno Manjua, citado pela agência Lusa, repudiou também o facto de o concurso indicar 40 horas semanais como período normal de trabalho. E o SEP comentou, anteontem, que é uma «imprecisão», pois «41 serão apenas por seis meses e os restantes para permitir a mobilidade entre instituições».
Outra reivindicação é a harmonização da forma de pagamento do trabalho suplementar, pois uns serviços remuneram em dinheiro, outros compensam com tempo.
No segundo dia, ainda na metade Oeste do distrito, a adesão à greve foi de 94 por cento (noite), 75 por cento (manhã) e 93 por cento (tarde). O SEP promoveu também a afixação de faixas nos muros do Hospital de Faro, com mensagens semelhantes às exibidas na véspera em Portimão. Na capital do distrito foi distribuído um comunicado à população, sobre as razões da luta.
Na quinta-feira, dia 11, os enfermeiros do Hospital de Faro paralisaram a 60 por cento (noite), 61 por cento (manhã) e 68 por cento (tarde). Durante a manhã, depois de se concentrarem junto do piquete de greve, enfermeiros de toda a região seguiram para o edifício da administração, para entregarem 150 requerimentos a exigir que sejam respeitadas as 35 horas semanais. No quarto dia, confirmaram-se os indicadores de adesão em Faro.
Em Portimão e Lagos, estava programado fazer greve nos dias 9 e 10, mas muitos enfermeiros decidiram espontaneamente continuar a luta nos dois dias seguintes, com uma adesão elevada, que em alguns serviços de Portimão chegou a cem por cento.
A direcção regional do SEP saudou a «excelente adesão» à greve no distrito, assinalando que tal «comprova não só a insatisfação, mas também a disponibilidade para continuar a lutar».

Próximos

De ontem, dia 17, até amanhã, 19, fazem greve das 8 às 12 horas os enfermeiros da Unidade Local de Saúde da Guarda, que hoje de manhã se concentram junto ao edifício da administração.

Amanhã é dia de greve de enfermeiros na ULS do Norte Alentejano, realizando-se concentrações à entrada dos hospitais de Portalegre e Elvas.

No Centro Hospitalar Tondela-Viseu, ocorre em todos os dias da próxima semana uma greve, das 9 às 12 horas, durante a qual vão ser entregues à administração requerimentos individuais dos enfermeiros, repartidos, consoante os pisos, pelos primeiros quatro dias. No dia 26, sexta-feira, vai ter lugar um plenário, admitindo o SEP que sejam debatidas formas de luta para Setembro.

 



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