Golpe no Brasil

«As acusações dirigidas contra mim são injustas e descabidas. Cassar em definitivo o meu mandato é como submeter-me a uma pena de morte política. Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus». As palavras da presidente Dilma Rousseff, no discurso com que encerrou a sua defesa no processo de impeachment, ecoaram na sala do Senado brasileiro como um libelo de acusação aos golpistas reunidos para a destituir do cargo para que foi democraticamente eleita.

«Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder... Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça», disse Dilma, que ao longo dos nove meses que durou este processo não se cansou de repetir que a cassação do seu mandato sem que tenha cometido crime de responsabilidade abriria um «ferimento muito difícil de ser curado».

«Não é legítimo, como querem meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo por não concordarem com o conjunto da obra. Quem afasta o presidente pelo conjunto da obra é o povo, e só o povo, pelas eleições». As palavras de Dilma, válidas numa democracia, não tiveram vencimento no Senado. Se dúvidas houvesse, a maratona de perguntas a que Dilma foi submetida no Senado demonstrou que as chamadas «pedaladas fiscais», nada tiveram a ver com o caso. Do que se tratou foi de um julgamento político, de um golpe orquestrado pelas forças de direita apoiadas pelo grande capital, que na prática rasgou a Constituição do Brasil. Cabe ao povo brasileiro julgar os golpistas

 



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