«A luta vai determinar o desfecho deste assalto», lembrou o Secretário-Geral
do PCP
Jerónimo de Sousa
encontrou-se com profissionais do táxi
Liberalização favorece multinacionais

O Secretário-geral do PCP aceitou o convite dos profissionais do táxi e num jantar que juntou mais de 350 pessoas solidarizou-se com a luta daqueles contra o «assalto» do grande capital no sector.

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A iniciativa partiu de um conjunto de taxistas e concretizou-se no passado dia 31 de Agosto, no restaurante Catedral da Cerveja, no Estádio da Luz, em Lisboa. Convidado pelos promotores, Jerónimo de Sousa realçou, numa intervenção várias vezes interrompida por aplausos, que «o PCP sempre considerou que o sector do táxi desempenha um papel importante no planeamento do transporte público, pela complementaridade que deve assegurar com os modos estruturantes do sistema de transportes».

«É por isso» afirmou, «que o PCP sempre se bateu por medidas que apoiassem o sector (...). Medidas que os sucessivos governos sempre recusaram implementar e pelas quais vale a pena continuar a lutar».

Agradecendo o convite «ligado à ofensiva em curso contra o sector – àquilo a que temos chamado de processo liberalizador e que no fundo trata de tentar destruir a realidade económica do sector do táxi e substituí-la pelo domínio das multinacionais», o Secretário-geral do Partido considerou que «podem travestir este processo de muitas maneiras que não lhe alteram esta essência».

«Usam o poder do dinheiro – e têm muito – para colocar a comunicação social ao serviço dos seus interesses económicos. Silenciam as razões, queixas e lutas do sector, ao mesmo tempo que promovem e valorizam as multinacionais. Valorizam quem se submete aos grupos económicos, às multinacionais, e abjuram quem continua a defender o interesse nacional. Mas não mudam a realidade: a liberalização desta actividade económica só serve os interesses do grande capital », denunciou, antes de deixar um alerta.

«A concretizarem-se as intenções do Governo, com a liberalização dos contingentes, a legalização da UBER em concorrência desleal ao sector do táxi e o aumento brutal da oferta, poderemos vir a assistir a centenas de falências, particularmente nas zonas urbanas onde a actividade das multinacionais pode ganhar maior peso e retirar maiores lucros».

«Que fique claro:o PCP não acompanha esta opção do Governo. Uma opção que é, em nosso entender, o caminho oposto àquele que deveria ser seguido», precisou ainda, concluindo que «a ofensiva que está neste momento em curso contra os profissionais do táxi deve ser travada». Será «a vossa luta que vai determinar o desfecho deste assalto perpetrado aos vossos direitos, ao vosso trabalho, às vossas empresas, à vossa vida!»

Intervenção reconhecida

A anteceder Jerónimo de Sousa, usaram da palavra profissionais e dirigentes do sector do táxi. Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi, foi enfático ao realçar que tamanha mobilização de taxistas é um sinal do reconhecimento da intervenção do PCP em sua defesa, até agora «o único partido a fazê-lo na Assembleia da República».

«O Governo, com a sua postura, não defende o interesse nacional», uma vez que transige com as multinacionais que «nem impostos pagam em Portugal». A acusação foi repetida depois por Rodolfo Melo, da Autocoop, e José Augusto, sócio da Antral, que além do mais deixou críticas muito duras à inacção daquela associação patronal.

Todos, à sua vez, relevaram igualmente o papel desempenhado pelo PCP e pelo deputado Bruno Dias, que se encontrava presente no jantar.

Jorge Máximo, «a jogar em casa», reforçou o apelo «à unidade para que consigamos os nossos objectivos» e na «defesa do Estado de direito».

Já depois da iniciativa para a qual Jerónimo de Sousa foi convidado, as associações que reúnem profissionais e empresários do sector do táxi convocaram para 10 de Outubro um protesto nacional (ver nesta página).




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