O PS não rompeu com a política de direita
Mulheres CDU do Porto confiam num bom resultado eleitoral

CONFIANÇA O Passeio das Mulheres CDU do Porto, realizado no domingo, 2 de Julho, todos os anos se renova em calor humano, convívio fraterno e confiança no futuro. Essas foram, mais uma vez, as características que marcaram a iniciativa deste ano, unindo as centenas de apoiantes da Coligação PCP-PEV que se deslocaram a Resende, e em que também participaram Jerónimo de Sousa e Ilda Figueiredo.

Com um muito espaçoso parque de merendas, repleto de sombras, a praia fluvial de Porto de Rei propicia o «pic-nic» e o petisco, tal como se verificou em todas as últimas 27 edições da iniciativa. Junto com os «comes e bebes», ali se presencia também a inevitável partilha dos mesmos entre camaradas e amigos.

Além da alta temperatura que se fez sentir, inspiradora dos banhos refrescantes na piscina ou no rio, situados ao longo do espaço, foi notório o ambiente de confiança que, como Jerónimo de Sousa mencionaria no final, não é uma «confiança que fique pendurada à espera», mas sim uma «confiança sustentada» no projecto da CDU e nos «homens e mulheres que estão dispostos a lutar pelo seu País, pelos trabalhadores e por aqueles que menos têm e menos podem».

Porto para todos

Coube a Ilda Figueiredo, cabeça de lista da CDU à Câmara do Porto, as primeiras palavras das intervenções políticas daquela tarde. Após saudar todos os presentes, e sublinhando a «tarde magnífica de sol, de companhia, confraternização, amizade e camaradagem», a candidata referiu que a Coligação PCP-PEV «faz a diferença no Porto e no País».

Ilda Figueiredo falou ainda da pretensa independência da candidatura de Rui Moreira à Câmara do Porto, elencando as figuras conhecidas do PSD e do CDS que integram ou apoiam aquela lista.

«Mas esta lista é independente de quê? Dos grandes interesses económicos e financeiros?», questionou, para logo dar a resposta: «Já sabemos que não é!». Como exemplo, referiu as diversas privatizações operadas na cidade do Porto nos últimos anos, como aconteceu na recolha do lixo e na manutenção de espaços municipais, plenamente apoiadas por PS, PSD e CDS.

«Nós queremos um Porto para todos e não para os interesses económicos e financeiros e para as elites», disse Ilda Figueiredo, concluindo que a CDU «vai lutar» com os seus eleitos na «defesa da cidade».

Projecto unitário

Referindo-se às eleições autárquicas deste ano, Jerónimo de Sousa destacou a participação de todos aqueles que compõem a CDU, desde os militantes do PCP, do PEV e da ID, aos «milhares e milhares de homens, mulheres e jovens independentes» que, não sendo de nenhum daqueles partidos, «estão com este projecto unitário».

Para o Secretário-geral do PCP, o próximo acto eleitoral extravasa o âmbito do Poder Local, tendo por isso sublinhado «a importância do reforço da CDU nas autarquias para ficar em melhores condições para continuar a sua luta, a sua acção e a sua proposta no quadro da nova fase política da vida nacional».

Reposição de direitos

Relembrando a recente derrota do governo de direita do PSD/CDS, Jerónimo de Sousa sublinhou que «perante o conformismo do PS», foi o PCP que teve a iniciativa de acabar com os constantes ataques aos trabalhadores e ao povo, o que permitiu a «inversão da marcha para o declínio e o retrocesso» e criar as condições que «levassem à reposição de direitos roubados aos portugueses». Tudo isto apesar do PS não ter «rompido com a política de direita», acentuou.

Elencou, de seguida, as diversas medidas que por intervenção do PCP na Assembleia da República foram aprovadas, como o aumento do abono de família, o descongelamento e aumento real das pensões, e que sem a nova correlação de forças nunca teriam sido possíveis tendo em conta o «programa eleitoral do PS, tímido e recuado».

Avanços limitados

No entanto, os avanços conseguidos têm-no sido de «forma insuficiente» e «limitada», devido aos «problemas de que o PS não se liberta», como a submissão aos «constrangimentos e imposições do estrangeiro», reforçou o Secretário-geral do PCP, avançando com a necessidade de adopção da política patriótica e de esquerda que o Partido defende, que «assuma a soberania económica do nosso País, que resolva os problemas estruturais, que aumente a produção nacional e que crie mais riqueza».

Após o momento político, muito participado e com inúmeras exclamações de apoio, palmas e identificação com as intervenções de Ilda Figueiredo e de Jerónimo de Sousa, a iniciativa continuou com entusiasmo reforçado. «Para o ano cá estaremos, com mais força e mais confiança», prometeu o Secretário-geral do PCP.

 



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