Apure-se todas as responsabilidades sobre Tancos

O PCP entende que a culpa não pode morrer solteira no caso do desaparecimento de material militar de Tancos, defendendo por isso que as «responsabilidades políticas de quem tutela, a responsabilidade de quem manda nos mais altos níveis nas Forças Armadas deve ser imputada e/ou assumida».

Na segunda-feira, 18, esta foi a posição assumida pelo deputado comunista Jorge Machado em debate de actualidade suscitado pelas bancadas do PSD e CDS-PP, que contou com a presença do ministro Azeredo Lopes.

O governante esteve sob o fogo das bancadas à direita do hemiciclo (o PSD a alegar falta de informação à AR e o CDS-PP a reiterar o pedido de demissão), enquanto o PS reafirmou a confiança no titular da pasta da Defesa.

Não deixando de criticar o CDS-PP e o PSD pela «infeliz escolha» de promover este debate de apuramento de responsabilidades em plenário em vez de ser em comissão – estando já agendada como estava para ontem, 20, uma reunião da comissão de Defesa Nacional com a presença do ministro –, Jorge Machado considerou que «também não deixa de ser bastante infeliz a opção do ministro por «dar entrevistas sem antes esclarecer o Parlamento», assumindo a «modalidade de comentador, a lançar várias hipóteses, dúvidas e cenários que não ajudam ao esclarecimento, ao contrário, só ajudam à confusão».

«Não deixa de ser absurdo que, depois dos vários esclarecimentos prestados pelo primeiro-ministro, pelo Presidente da República, pelo General CEME e General CEMGFA, o senhor ministro venha agora em entrevista colocar como hipótese a possibilidade de se tratar de um problema de abate, um problema de inventário», constatou o parlamentar do PCP, questionando por isso o responsável neste termos: «Não há verificação regular do material que vai para abate? Não há inventário? Não há transmissão da informação do inventário quando se sucedem os chefes de Estado Maior dos ramos? E a inspecção Geral do Exército, não sabe ou soube nada disto?»

Daí a recomendação ao ministro para que em vez de «especular na comunicação social», melhor será que «apresente as conclusões da investigação interna» e «esclareça o que aconteceu».

É que, advertiu Jorge Machado, depois de vários anos de desinvestimento que degradaram as condições operacionais dos diferentes ramos das forças armadas, «deixar que estes escândalos continuem impunes e sem que os responsáveis sejam responsabilizados é um duro golpe na credibilidade das Forças Armadas que não tem nem terá o apoio do PCP».



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