Sindicatos contestam reforma liberalizadora dos caminhos-de-ferro
Ferroviários franceses decidem três meses de greve

LIBERALIZAÇÃO A frente intersindical que se opõe à reforma dos caminhos-de-ferro franceses anunciou, dia 15, uma greve de quase três meses, em protesto contra o projecto do governo de Emmanuel Macron.

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Após ter apresentado uma contraproposta de reorganização da companhia pública de caminhos-de-ferro, a CGT, em conjunto com outros sindicatos (Unsa, SUD-Rail e CFDT), constatou que «face a um governo autoritário, será necessário ter a capacidade de manter um conflito intenso durante um longo período», declarou Laurent Brun, secretário-geral da CGT-Cheminots.

A greve terá lugar entre 3 de Abril e 28 de Junho, período durante o qual os trabalhadores irão paralisar dois dias em cada cinco. Ao todo serão 36 dias de greve, uma das mais longas da história da empresa.

Os sindicatos previnem que compete ao governo abrir negociações caso pretenda evitar um conflito prolongado que terá fortes impactos nas actividades económicas e no quotidiano de cerca de 4,5 milhões de utentes que recorrem à ferrovia diariamente.

A reforma da SNCF é vista pelos sindicatos como um primeiro passo para a privatização da empresa.

O governo queixa-se dos elevados custos de funcionamento e da pesada dívida contraída pela empresa, em grande parte devido à construção da rede de alta velocidade.

Como soluções o executivo gaulês planeia abrir o sector à concorrência, propondo-se, nesse sentido, transformar a empresa numa sociedade de capitais públicos, que ficaria impedida de receber financiamento do Estado.

Ao mesmo tempo pretende retirar direitos e regalias aos trabalhadores previstos no estatuto de ferroviário.

Em protesto com o projecto, os trabalhadores da SNCF desfilam hoje, quinta-feira, 22, em Paris, convergindo com a jornada de luta da Administração Pública.

Luta na Air France

Na companhia aérea francesa, está anunciada uma greve para amanhã, sexta-feira, 23, que abrange o pessoal de bordo e de terra, por aumentos de seis por cento da tabela salarial.

Entretanto, os associados do sindicato dos pilotos SNPL aprovaram, dia 14, a possibilidade de virem a ser convocados seis dias de greve, com uma duração total de 144 horas.

Já a 22 de Fevereiro uma greve convocada por 11 sindicatos deixou colados ao solo um quarto dos aviões da Air France.




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