Editorial

«Valorizar o trabalho e os trabalhadores, os seus salários, os seus direitos individuais e colectivos»

PELOS VALORES DE ABRIL

Agrava-se a situação internacional com novos perigos, ameaças e incertezas que são, em simultâneo, expressão da acção exploradora, opressora, agressiva e predadora do capitalismo e reflexo do aprofundamento da sua crise estrutural.

A nível nacional continua a viver-se uma situação caracterizada pelo desenvolvimento da luta de massas e pela intensa intervenção do PCP, procurando determinar novos avanços na defesa, reposição e conquista de direitos, de que é exemplo mais recente o descongelamento da progressão nas carreiras da Administração Pública, que este mês teve tradução concreta nos salários dos trabalhadores em condições de progredir. Ao mesmo tempo prosseguem também as manobras do grande capital, não só para impedir a concretização desses avanços, mas para fazer regredir o País aos níveis de exploração, empobrecimento e declínio que caracterizaram a acção do governo PSD/CDS.

De igual modo se mantém a opção do PS em convergir com o PSD e CDS sempre que estejam em causa os interesses do grande capital e/ou as imposições da União Europeia, como se verificou ainda há pouco ao inviabilizar, conjuntamente com aqueles dois partidos, as propostas de alteração a normas gravosas da legislação laboral apresentadas pelo PCP na Assembleia da República.

Desvalorizando a Assembleia da República e a sua responsabilidade própria em matéria de legislação laboral, o Governo apresentou em sede da Concertação Social propostas nesta área que, ao contrário das que o PCP apresentou na AR, mantêm as principais malfeitorias que a política de direita (pelas mãos de governos do PSD/CDS e do PS) introduziu na legislação laboral.

É neste quadro que se desenvolve e dinamiza a intervenção do PCP não desperdiçando nenhuma oportunidade para lutar pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo. São disso expressão as muitas dezenas de iniciativas realizadas esta semana por todo o País em torno das comemorações do 97.º aniversário do Partido, das comemorações do segundo centenário do nascimento de Karl Marx e da campanha «Valorizar os trabalhadores. Mais força ao PCP», em que se inseriu o comício da passada sexta-feira no Entroncamento, que contou com a participação de Jerónimo de Sousa.

Decorreu, também com a participação do Secretário-geral do PCP, a IX Assembleia da Organização Regional da Guarda, numa linha de reforço orgânico do Partido, em que se inserem muitas outras direcções de trabalho e acções como é o caso dos «5 mil contactos com trabalhadores» e a entrega do novo cartão de membro do Partido.

Foi igualmente neste quadro que o PCP se pronunciou sobre o processo que o Governo tem em curso para a prevenção dos fogos florestais, salientando que a operação de propaganda e desresponsabilização posta em marcha visa, no essencial, fazer passar a ideia de que se está a fazer tudo o que é possível para evitar novas tragédias, não concretizando, no entanto, as medidas que verdadeiramente deviam ser tomadas e que o PCP insistentemente tem apresentado e defendido.

Avança a preparação da Festa do Avante!, nomeadamente com a planificação das suas diversas fases e tarefas, com particular atenção à sua promoção e divulgação e à venda antecipada da EP, já disponível nos centros de trabalho.

Desenvolve-se a luta de massas com diferentes expressões em numerosas empresas, locais de trabalho e sectores, como foram as acções do Dia do Estudante, a 24 de Março, e em particular a manifestação da juventude trabalhadora que ontem decorreu em Lisboa com grande participação. Importa agora dedicar uma grande atenção à preparação do 1.º de Maio convocado e organizado pela CGTP-IN, fazendo dele uma grande jornada de luta preparada a partir da acção reivindicativa nas empresas, locais de trabalho e sectores. Avança-se também na preparação das comemorações do 44.º aniversário da Revolução de Abril.

A evolução da situação doPaís, como lembrou Jerónimo de Sousa no comício do PCP no Entroncamento, dia 23,mostra que para dar resposta aos problemas nacionais de fundo e irmais longe na defesa, reposição e conquista de direitos é necessário que o País se livre da política de direita e é necessário igualmente abrir caminho à concretização de uma política alternativa patriótica e de esquerda que, rompendo coma exploração, o empobrecimento, o declínio e a dependência, assegure um Portugal com futuro desenvolvido e soberano.
É preciso uma política que «assumindo o compromisso comos trabalhadores e o povo, comtodos os democratas e patriotas, renegocie a dívida, recupere para o País o que é do País, que assegure os direitos à saúde, à educação, à cultura, à protecção social.


Épor essa política vinculada aos valores de Abril que o PCP prosseguirá e reforçará a sua acção.

 


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