Há que cumprir
o compromisso obtido pela força
dos enfermeiros
Unidos e em luta enfermeiros exigem resposta

NEGOCIAÇÃO Com a grande manifestação de dia 19, em Lisboa, e as greves realizadas durante seis dias, os enfermeiros mostraram indignação e revolta, mas também determinação para prosseguir a luta.

«Ministra, escuta, os enfermeiros estão em luta» terá sido a mensagem mais gritada na sexta-feira à tarde, na manifestação que se estendeu pela lateral dos números pares da Avenida da República.

Enfermeiros de todo o País preencheram com faixas, bandeiras, buzinas, palmas ritmadas, cantos e palavras de ordem praticamente toda a distância desde o Campo Pequeno até à Avenida João Crisóstomo.

Culminando as greves realizadas nos dias 10, 11 e desde terça-feira, 16, os profissionais de Enfermagem fizeram questão de levar até junto do Ministério da Saúde a exigência de resposta à reivindicação principal de valorização e dignificação da carreira, objectivo assumido pelo Governo num protocolo negocial, em Março, e que só em Setembro resultou numa proposta de estatuto profissional que foi firmemente rejeitada.

Como então os sindicatos protestaram, em particular a comissão negociadora constituída pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN) e o Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM), a proposta não reflectiu os compromissos assumidos.

Os dois sindicatos, com a ASPE e o Sindepor, convocaram este conjunto de lutas. Na manifestação de dia 19, o leque de organizações representativas mostrou-se muito alargado, incluindo uma representação da Ordem dos Enfermeiros.

Um «acordo de compromisso sobre princípios gerais de alteração da carreira especial de Enfermagem», anexado à moção aprovada na concentração final, junto ao Ministério, foi subscrito pelos quatro sindicatos e por 12 associações profissionais.

Na adesão às greves e na manifestação, ficou espelhado o sentimento de «enorme descontentamento, insatisfação, revolta, indignação» de que deu conta o presidente do SEP. Ao fechar as intervenções na Avenida João Crisóstomo, José Carlos Martins assinalou igualmente a «determinação para exigir solução» e o respeito do acordado. Recordou que esta determinação ficou comprovada nas greves nacionais de Março e Junho deste ano e destacou resultados alcançados com as greves ao nível de instituições de Saúde, em Agosto e Setembro (em quatro dessas instituições foi devidamente contado o tempo de serviço para efeitos de progressão).

O dirigente anunciou, sob fortes aplausos, que na manifestação estavam mais de 7500 pessoas, segundo a PSP, e saudou os muitos profissionais em greve, a cumprir serviços mínimos.

Na moção, volta a ser exigida ao Governo «uma verdadeira proposta negocial, que dignifique a carreira de Enfermagem e que respeite o “acordo de compromisso sobre princípios gerais de alteração da carreira de Enfermagem”» aprovado por sindicatos e associações de enfermeiros.

São confirmadas as exigências relativas a: contagem dos pontos (anos de serviço) para descongelamento das progressões, a todos os enfermeiros (CTFP e CIT); pagamento do suplemento remuneratório a todos os enfermeiros-especialistas; admissão de mais enfermeiros.

As vozes que, desde o Campo Pequeno, tinham gritado «Mais contratação para acabar com a exaustão», «Temos formação, exigimos valorização» e «É verdade, temos risco e penosidade», garantiram que «a luta continua».

Amanhã em greve
O SEP, que integra a Frente Comum de Sindicatos, apela à participação dos enfermeiros na greve convocada para amanhã, dia 26, em todos os sectores da Administração Pública, para exigir que o Orçamento do Estado para 2019 responda às exigências dos trabalhadores, inscritas na Proposta Reivindicativa Comum – uma luta que tratamos nas páginas seguintes desta edição.

Podem contar com o PCP
Uma delegação do PCP, integrando João Ferreira, membro do Comité Central e deputado no Parlamento Europeu, e Carla Cruz, deputada na Assembleia da República, esteve presente na manifestação, a manifestar solidariedade com esta luta «justa e necessária» e a garantir que os enfermeiros podem contar com o PCP na defesa das suas reivindicações. Em breves declarações, publicadas no site do Partido, foi apontada «a incapacidade do Governo PS para responder àquilo que está por fazer, também no SNS e na valorização da condição dos seus profissionais, e de responder por vontade própria, atendendo aos compromissos a que voluntariamente se amarrou».

 



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