• Filipe Diniz

A «posição do país»

Não sendo importante, é sintomático. O jornal «i» publica (6.02.2019) um artigo com o título «Quando o PCP fica sozinho contra a posição do país.» O próprio texto desmente em parte o título. Mas a questão envolve a forma como se pretende avaliar as posições do PCP, e merece comentário.

Em primeiro lugar a questão da «posição do país». Por exemplo o Governo do PS, e a direita também, reconhecem o fantoche Guaidó como presidente da Venezuela. Mas tanto pode dizer-se que é essa «a posição do país» como que é «a posição dos EUA». E o PCP, e tantos portugueses que condenam essa «posição», fazem parte do «país».

Do balanço feito no texto uma coisa é certa: sozinho ou acompanhado, a posição do PCP honra-o, e não faltam exemplos de posições de outros que se não os envergonham deveriam envergonhar. Como é o caso do voto apresentado pelo BE na AR condenando um «ataque com armas químicas levado a cabo em Gouta pelo regime de Bashar Al-Assad.» Ataque que foi desmascarado como uma encenação dos «capacetes brancos», braço «humanitário» do Daesh, ou seja dos serviços secretos ocidentais. «Organização» cuja «acção humanitária» está em vias de ser transferida para a Venezuela, com tudo o que isso significa sobre o que ali está em marcha.

O que é sintomático neste texto é pretender apresentar o PCP como «isolado» e colocá-lo em oposição «ao país». Ganha outro sentido se se tiver em conta a campanha mediática anti-PCP que está em curso.

O método é antigo. Acontece que as posições das classes dominantes são as delas, não as «do país». E historicamente não faltam exemplos de posições dessas que vão contra o interesse nacional.

Quem estiver ao lado dos trabalhadores e do povo poderá estar sozinho. Mas nunca estará isolado.




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