Milhares protestam em Santiago do Chile contra a repressão e a violação de direitos

Milhares de pessoas desfilaram no sábado, 18, em Santiago do Chile, em silêncio e a maioria vestida de negro, homenageando as vítimas da repressão e denunciando as violações de direitos humanos no país.

A manifestação decorreu no dia em que se completaram três meses da explosão social que gerou um movimento sem precedentes de rejeição das políticas neo-liberais do governo do presidente Sebastián Piñera e de exigência de profundas mudanças que melhorem a vida dos chilenos mais humildes.

Muitos dos participantes da marcha contra a repressão juntaram-se na Praça da Dignidade, centro de todos os protestos nos últimos 90 dias, de onde avançaram pela Alameda até ao Palácio de La Moneda. Ali, renderam homenagem às mais de 450 pessoas que sofreram graves lesões oculares pelo impacto de projécteis disparados pela polícia e que evidenciam a desmedida repressão contra os manifestantes.

O protesto, no final do qual foram gritados slogans pedindo a demissão de Piñera, foi convocado por diversas organizações, entre as quais a Central Unitária de Trabalhadores, o Colégio de Professores, a Coordenadora de Vítimas de Trauma Ocular, os grupos de Familiares Detidos Desaparecidos e de Familiares de Executados Políticos e a Coordenadora Nacional de Estudantes Secundários.

Manifestantes exigem
renúncia de Piñera

A renúncia do presidente Piñera foi reclamada na sexta-feira passada por uma multidão reunida na Praça da Dignidade, na capital chilena.

Como em todas as sextas, desde 18 de Outubro de 2019, a Praça Baquedano, baptizada pelos manifestantes como Praça da Dignidade, foi cenário de uma manifestação de milhares de pessoas reclamando mudanças políticas, económicas e sociais no Chile.

A exigência de demissão de Piñera coincide com a divulgação de uma sondagem do Centro de Estudos Públicos que atribui apenas seis por cento de apoio à sua governação, o nível mais baixo entre os presidentes que passaram pelo Palácio de La Moneda desde 1990.

Em ambiente pacífico, com músicas, danças e o toque de caçarolas, os manifestantes reivindicaram também uma nova Constituição e a eleição de uma assembleia constituinte como via para a conseguir. Outras exigências populares são a participação paritária de homens e mulheres e a aprovação de lugares para representantes dos povos indígenas no mecanismo constituinte que for aprovado no referendo de 26 de Abril.

As reivindicações principais dos movimentos sociais, expressas nos cartazes dos manifestantes, são melhores salários e pensões, bem como educação e saúde pública de qualidade, prioridades para melhorar as condições de vida da maioria dos chilenos.

Campa de Víctor Jara
foi alvo de vandalismo

A profanação da campa do cantautor Víctor Jara, no cemitério de Santiago do Chile, provocou um movimento de repúdio nas redes sociais.

A campa do músico, assassinado brutalmente pelos fascistas em 1973, foi coberta com escritos a tinta vermelha, vandalismo que se repetiu nas últimas semanas em outras cidades contra memoriais e monumentos que recordam as vítimas da ditadura de Pinochet (1973-1990).

As denúncias destes actos responsabilizam a auto-denominada Brigada Lobo, que estaria vinculada ao grupo de extrema-direita Pátria e Liberdade, muito activo contra o governo da Unidade Popular dos primeiros anos da década de 1970.

Uma das composições mais conhecidas de Víctor Jara, El derecho a vivir en paz, converteu-se num verdadeiro hino dos manifestantes chilenos de hoje, que o entoam em todos os desfiles e concentrações populares.




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