Uma greve proibida

As fortes pressões exercidas pelo governo grego e pela imprensa dominante levaram a direcção da Federação de Professores do Secundário (OLME) a desconvocar a greve marcada para dia 17, que coincidia com o início dos exames nacionais de acesso à universidade.

A jornada de luta foi proibida pelo governo imediatamente após a sua convocação na semana passada.

No entanto, desafiando a requisição civil e a ameaça de prisão até três meses àqueles que desobedecessem, os cerca de 88 mil docentes abrangidos realizaram assembleias por todo o país, nas quais 92 por cento dos participantes votaram pela manutenção da greve.

Esta corajosa decisão das bases, relatada pelo correspondente da Prensa Latina, Antonio Cuesta, não foi todavia seguida pela direcção da Federação que, durante a assembleia de delegados regionais realizada dia 16, conseguiu obter a maioria necessária para desconvocar a greve.

Apesar do recuo, sindicatos de vários sectores expressaram a sua indignação, convocando, dia 16, greves parciais e manifestações em Atenas.

A própria Amnistia Internacional reagiu em tom condenatório, sublinhando que «os tempos de austeridade financeira não absolvem os governos das suas obrigações para com os direitos humanos», acrescentado que a Grécia tem compromissos perante leis internacionais que obrigam «ao respeito e protecção do direito de livre associação, o que inclui o direito à organização sindical e o direito à greve».



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