Cuba rejeita agravamento do bloqueio dos EUA
Cuba rejeitou o denominado “memorando presidencial de segurança nacional” emitido pela Administração dos EUA que, ao reeditar uma medida similar adoptada em 2017, agrava o criminoso bloqueio imposto há décadas ao povo cubano.
Governantes e políticos dos EUA têm a desfaçatez de declarar que actuam «para bem do povo cubano»
Uma declaração de dia 1 de Julho do Ministério das Relações Exteriores do Governo de Cuba (MINREX) precisa que o documento dado a conhecer na véspera pela Administração norte-americana, que intensifica o bloqueio imposto contra Cuba, reedita e emenda um documento semelhante aprovado em 16 de Junho de 2017, no início do primeiro mandato de Donald Trump enquanto Presidente dos EUA.
Cuba denuncia e rejeita categoricamente ambas as versões do infame documento, refere o comunicado, que alerta ainda para as intenções norte-americanas de apoderarem-se do país e ditar o seu destino, como aponta o disposto na Ley Helms-Burton de 1996.
O MINREX denuncia que desde 2017 a Administração dos EUA iniciou a aplicação de medidas de reforço do bloqueio económico, comercial e financeiro contra Cuba, as quais levaram ao agravamento dos seus efeitos. Assinala ainda que essas medidas se mantiveram nos últimos oito anos e explicam as carências e os desafios actuais que a economia cubana enfrenta para a sua recuperação, crescimento e desenvolvimento.
Acresce que o memorando original dos EUA de 2017 impulsionou, entre outras medidas, a proibição quase absoluta a que cidadãos norte-americanos viajem a Cuba; induziu a perseguição dos fornecimentos de combustível; e obstaculizou o envio de remessas. Além disso, esse memorando serviu de base à aplicação de medidas coercivas contra países terceiros por desenvolverem a cooperação com Cuba, nomeadamente no campo da saúde, e propiciou pressões sobre entidades comerciais e financeiras para impedir as suas relações com Cuba, o que incluiu processos judiciais em tribunais dos EUA contra investimentos económicos naquele país. Possibilitou também a caluniosa e inaceitável inclusão de Cuba na arbitrária lista dos EUA de Estados ditos patrocinadores do terrorismo.
A declaração conclui assinalando que à Administração norte-americana «não importa que Cuba seja um país pacífico, estável, solidário e com relações amistosas com praticamente o mundo inteiro. A política que aplica responde aos interesses estreitos de uma camarilha anti-cubana e corrupta que fez da agressão ao vizinho um modo de vida e um negócio muito lucrativo».
Denúncia e solidariedade
A Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC) repudia, num comunicado recente, a medida assumida pela administração norte-americana por constituir uma tentativa de «afectar ainda mais a economia cubana e de interferir nos assuntos internos daquele país». A associação acusa os EUA de recorrerem a argumentos falsos, como uma «suposta defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade religiosa», para impor o que considera serem «medidas criminosas» que atingem duramente o povo de Cuba.
A AAPC recorda que são dezenas as resoluções da ONU que, «desde 1992 e quase unanimemente, pedem repetidamente o fim do bloqueio». E fala de «hipocrisia» por parte de um país – os EUA – que há décadas «desestabiliza e interfere nos assuntos internos de outros países face a países que, como Cuba, se têm pautado por relações de amizade, cooperação e respeito com os outros países».
Apelando ao reforço da solidariedade do povo português com Cuba, que é «um país solidário», a associação destaca a adesão de dezenas de organizações à campanha de solidariedade “Por Cuba! Fim ao Bloqueio!”. Um dos objectivos da campanha é a recolha de material escolar, brinquedos, medicamentos e material hospital, bem como equipamentos geriátricos, para serem depois enviados para Cuba. Há locais de entrega em vários distritos do País.
As contribuições financeiras deverão ser feitas para o seguinte IBAN: PT50 0033 0000 0058 0164 1169 7.




