A falta de regras
Um dos liberais de serviço, Moreira Rato, que tanto está a governar Instituições Públicas (Presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, CGD) como privadas (BES, Banco CTT), preside agora ao Instituto de Corporate Governance, nome que só por si, pelo seu anglicismo subserviente e desnecessário, mostra o que é e ao que vem o dito Instituto.
O destaque na sua última entrevista é que a «Falta de regras no setor público facilita o clientelismo partidário» e dá um exemplo com o suspeito do costume: «Também se viu no caso da TAP, no passado, que havia questões de bónus que não teriam passado pela comissão de remunerações. São questões de ‘governance’ complicadas».
O exemplo é verdadeiro, a TAP pagou bónus milionários, de milhões, a Fernando Pinto e a Maximilian Otto Urbahn, sem qualquer justificação aceitável. E que de facto não passaram na Comissão de Remunerações. Mas a TAP estava sob gestão privada nessa altura, não sob gestão pública.
O que só por si deveria arrumar com o mito da superioridade da gestão privada. Isto sem ter que ir desenterrar Zeinal Bava, Ricardo Salgado, Oliveira e Costa, João Rendeiro e tantos outros.
A mesma entrevista termina com o elencar de um conjunto de banalidades sobre a relação do Estado com as Empresas Públicas, mas onde são ditas algumas coisas importantes sobre a necessidade do Estado determinar objectivos claros para cada uma, aprovar atempadamente Planos de Actividade e Orçamento e dar-lhes depois uma maior autonomia de gestão, mas onde se omite o mais importante: essas são as regras, isso é o que está na lei e não é aplicado pelos governos neoliberais que se têm sucedido. Governos que olham para as empresas públicas não como instrumentos da República mas como realidades provisórias, sempre em processo de privatização.
Por fim, o gestor coloca a grande medida que iria melhorar muito a gestão pública: aumentar os salários dos gestores. Diz-lo em neoliberalês e de forma fina e educada, mas é essa a proposta. Mais uma vez esquecendo que os tristes exemplos acima recordados fizeram todos parte da lista dos gestores mais bem pagos do país. E alguns encabeçaram essa lista.




