AHRESP enjeitou proposta para não actualizar salários

A associação patronal que negoceia com a FESAHT/CGTP-IN os contratos colectivos do alojamento e da restauração não aceitou a proposta que tinha feito aos representantes sindicais, impedindo aumentos salariais.

Os patrões do turismo mantêm salários de miséria, para aumentar os lucros

A posição da AHRESP foi condenada pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas e Turismo de Portugal, que levou a cabo, esta segunda-feira, dia 28, um protesto de âmbito nacional em frente à sede da associação patronal.

Em comunicado aos trabalhadores, a FESAHT apelou a uma «resposta firme», que passará por «empresa a empresa, em todos os hotéis, restaurantes e cafés, de norte a sul do País, desenvolvendo e apresentando cadernos reivindicativos».

Na concentração, o Secretário-Geral da CGTP-IN criticou a posição patronal, notando que, «se há mais turismo, se há mais procura, se há mais lucros, então que tudo isto se transforme na valorização e na melhoria das condições de vida». Tiago Oliveira reafirmou a justa posição assumida pelos representantes dos trabalhadores nas negociações com a AHRESP, pois «o papel dos sindicatos não é assinar o retrocesso nas condições de vida de quem trabalha».

A FESAHT persistiu, nas reuniões de negociação dos dois contratos colectivos, em declarar que não aceitaria nenhuma proposta que implicasse perda de direitos. Perante esta posição, a AHRESP «assumiu estar disponível para um acordo que mantivesse todo o clausulado actual, com a evolução das tabelas salariais que havia já negociado com o SITESE/UGT», como referiu a federação no comunicado.

Embora considerassem insuficientes os valores da actualização salarial, a FESAHT e os sindicatos, ouvindo delegados sindicais, decidiram que seria de valorizar a preservação dos direitos e o facto de romper com o congelamento das tabelas desde 2023. Os textos foram enviados à associação patronal, confirmando a intenção de assinatura do acordo proposto pelo próprio presidente da AHRESP.

Afinal, a direcção patronal veio comunicar, a 24 de Junho, que tinha deliberado não aceitar a proposta que o seu presidente tinha formulado. A deliberação fora unânime, incluindo o interlocutor directo dos sindicatos.

As estruturas da CGTP-IN consideraram «inaceitável esta postura da parte da AHRESP, em acto de desconsideração e desrespeito, deixando milhares de trabalhadores nas unidades de Alojamento e Restaurantes, em todo o País, sem actualização salarial pelo segundo ano consecutivo». Assim são empurrados «para o salário mínimo nacional, muitos deles com 30 anos e mais de antiguidade no sector».

 

A melhor defesa

Com a pressão sobre os salários, a maior associação patronal do sector «pretende impor os acordos feitos com a UGT, que retiram direitos aos trabalhadores e impõem bancos de horas, horários concentrados de 12 horas diárias e adaptabilidade de horários, para não pagar trabalho suplementar».

Ao fazerem esta acusação, a federação e os seus sindicatos avisam que a AHRESP e as empresas, sabendo que «a UGT tem poucos filiados nas empresas do sector da restauração e alojamento e que, por isso, esse CCT não se aplica a quase ninguém», querem mudar esta situação a seu favor. Com uma portaria de extensão, poderia ser aplicado a trabalhadores não sindicalizados.

«A única forma» de não ficar sujeito a tais condições «é ser associado dos sindicatos da FESAHT».

 



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