Em defesa do multilateralismo e relações internacionais mais justas
A Organização de Cooperação de Xangai (OCX), cuja 25.ª cimeira decorreu em Tianjin, na República Popular da China, confirmou o seu alargamento e reforço, defendeu o multilateralismo e reiterou a necessidade de impulsionar um sistema de relações internacionais mais justo.
«Devemos fortalecer a unidade e a cooperação, opor-nos ao unilateralismo»
A cimeira da OCX, que se realizou a 31 de Agosto e 1 de Setembro, admitiu a República Democrática Popular do Laos como novo “parceiro de diálogo” desta organização, que agora soma 27 países participantes. A OCX integra a Bielorrússia, China, Cazaquistão, Índia, Irão, Paquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão, Uzbequistão, além de outros 17 países que participam como “observadores” ou “parceiros de diálogo”.
Esta foi a maior cimeira desde a fundação da OCX há 24 anos e nela participaram dezenas de dirigentes ao mais alto nível e responsáveis de 10 organizações internacionais, entre as quais as Nações Unidas.
Na cimeira foram aprovados 24 documentos, incluindo a Declaração de Tianjin, bem como uma série de declarações temáticas focadas na cooperação nas áreas de segurança, economia, intercâmbios culturais e desenvolvimento institucional. Foi ainda estabelecido um roteiro para a próxima década com uma estratégia de desenvolvimento 2026-2035 e assinada uma declaração conjunta em apoio ao sistema multilateral de comércio, com o objectivo de reafirmar o compromisso com normas abertas, transparentes e inclusivas.
A OCS emitiu uma declaração comemorativa do 80.º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial e da criação da Organização das Nações Unidas, na qual se destaca o papel desses dois feitos na construção da ordem internacional contemporânea.
O presidente chinês, Xi Jinping, recordou que no seio da OCS foi estabelecido um mecanismo de confiança militar em zonas fronteiriças para transformar as fronteiras em vínculos de amizade e cooperação e promover acções multilaterais contra formas de terrorismo.
Por outro lado, um dos objectivos principais da cimeira foi o aprofundamento das trocas comerciais e económicas na região, no meio de um cenário internacional complexo, que é igualmente marcado pela imposição de tarifas por parte dos EUA.
Xi propõe Iniciativa de Governação Global
Durante a reunião alargada da OCX+, Xi Jinping propôs uma “Iniciativa de Governação Global” visando «impulsionar um sistema de governação global mais justo e razoável e avançar conjuntamente para uma comunidade de destino compartilhado para a humanidade».
Xi Jinping defendeu o princípio de soberania e igualdade dos Estados e que todos os países, sem distinção de tamanho, poder ou riqueza, devem ter igualdade de participação, decisão e benefícios nos assuntos globais. Apelou à democratização das relações internacionais e ao reforço da voz dos países em desenvolvimento.
Xi destacou igualmente a necessidade de respeitar o direito internacional e, nesse sentido, o pleno cumprimento da Carta das Nações Unidas e das normas básicas das relações internacionais. Além disso, rejeitou o uso de dois pesos e duas medidas e a imposição de regras unilaterais por parte de alguns países.
O Presidente chinês reiterou ainda o compromisso com o multilateralismo, defendeu o princípio de consulta, construção e benefício partilhado na governação global. «Devemos fortalecer a unidade e cooperação, opor-nos ao unilateralismo e preservar a autoridade das Nações Unidas», afirmou.
Xi Jinping também apresentou uma visão da governação centrada nas pessoas e propôs reformas para uma participação mais ampla dos povos nos processos globais, assim como uma distribuição mais equitativa dos seus benefícios. E assinalou a importância de afrontar desafios comuns e reduzir o fosso entre o Norte e o Sul.




