América Latina e Caraíbas contra ameaça dos EUA

Os EUA enviaram uma força militar para o Mar das Caraíbas, ao largo da costa da Venezuela, alegando tratar-se de uma operação contra o narcotráfico. Caracas denuncia a flagrante violação do tratado que declara a região livre de armas nucleares e zona de paz.

Venezuela denuncia violação pelos EUA do tratado que declara América Latina e Caraíbas zona de paz


A Colômbia, presidente rotativo da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), promoveu no dia 1, uma reunião virtual urgente de ministros dos Negócios Estrangeiros, para analisar as «movimentações militares» no Mar das Caraíbas.

O governo colombiano revelou que o encontro teve por objectivo expor pontos de vista sobre a conjuntura regional, num quadro de respeito pelos princípios do direito internacional, a soberania, a cooperação e a integração que sustentam a CELAC como um fórum de unidade política e concertação.

Os 33 Estados membros esperam que «este espaço permita abordar, de maneira aberta e construtiva, as preocupações existentes em torno das recentes movimentações militares nas Caraíbas e suas possíveis implicações para a paz, a segurança e a estabilidade regional», diz a convocatória da reunião. Acrescenta que a intenção foi a de reforçar os canais de diálogo e cooperação, reconhecendo que os desafios transnacionais requerem respostas conjuntas e coordenadas.

Milícias mobilizadas

Em resposta ao envio de navios de guerra para o Mar das Caraíbas, visando a Venezuela, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou a mobilização da Milícia Bolivariana como parte da estratégia de protecção nacional descrita por Caracas como um exercício de soberania face a uma ameaça externa injustificada. O país também recorreu à ONU para denunciar a violação de princípios fundamentais do direito internacional, pelo que solicitou o respeito pela declaração aprovada pela CELAC, que em 2014 proclamou a América Latina e as Caraíbas como zona de paz.

Segundo o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, Washington promove «uma operação de propaganda massiva para justificar o que os peritos chamam “acção cinética”, quer dizer, uma intervenção militar num país soberano e independente que não representa uma ameaça para ninguém».

Perante as intimidações dos EUA, vários países, entre os quais Bolívia, México, Cuba, Nicarágua, Bielorrússia, Rússia e China, expressaram o seu apoio ao país bolivariano no que concerne à sua autodeterminação e soberania.

Narrativa falsa e grosseira

Intervindo na reunião virtual da CELAC, no dia 1, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Iván Gil, rechaçou o envio de forças militares dos EUA para as águas das Caraíbas, operação que é uma flagrante violação do Tratado de Tlatelolco, que declara a região livre de armas nucleares.

Assinalou que Washington utiliza a luta contra o narcotráfico para ameaçar a nação bolivariana, «uma narrativa falsa e grosseira». Explicou que, de acordo com relatórios do Gabinete da ONU Contra a Droga e o Delito e do próprio Departamento de Estado norte-americano, a Venezuela é um território livre de cultivos ilícitos. «Cerca de 87 por cento do tráfico de cocaína que sai da Colômbia para território dos EUA utiliza a rota do Pacífico», garantiu para exemplificar quão questionável é que os EUA aleguem lutar contra o narcotráfico posicionando navios de guerra na região das Caraíbas.

Iván Gil enfatizou que a ameaça dos EUA tem proporções similares às que empregam numa guerra: «Estamos a falar de oito navios de guerra, com mais de 1200 mísseis a bordo e cerca de 4200 tropas treinadas e prontas para intervir».

 



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