Comissão Europeia merece censura!
O PCP divulgou, em Estrasburgo, no dia 6, um comunicado intitulado «A Comissão Europeia merece censura! Pela sua cumplicidade com o genocídio na Palestina! Pelos grandes interesses económicos que a sua política serve! Pela escalada armamentista que promove!», que se publica na íntegra.
Moção de censura à Comissão Europeia é hoje votada na sessão plenária do Parlamento Europeu, que se realiza em Estraburgo
«Como salientámos no momento da votação da moção de censura em Julho passado, não faltam válidas razões para censurar a Comissão Europeia – uma censura que a realidade continua a impor.
Acompanhando aspectos contidos na moção de censura que foi subscrita pelos deputados do Grupo Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica – A Esquerda no Parlamento Europeu e que esta semana irá a votação – como a rejeição do acordo comercial UE-EUA e do acordo UE-Mercosul; ou a condenação da postura da Comissão Europeia face às brutais agressões militares e violações sistemáticas do direito internacional e humanitário por parte do Governo israelita; e da política da Comissão Europeia nos planos social e ambiental –, esta contém, no entanto e apesar das propostas reiteradamente apresentadas por João Oliveira, deputado do PCP no PE, no sentido de as colmatar, significativas omissões, nomeadamente:
– Omite a política militarista da UE, em associação com os EUA e a NATO, incluindo no que respeita ao aumento das despesas militares, activamente promovida pela Comissão Europeia, bem como a questão fundamental da defesa da Paz e da segurança na Europa;
– Omite o carácter neoliberal das políticas da UE, activamente promovidas pela Comissão Europeia, assim como quem é prejudicado por estas, os trabalhadores e os povos, e quem destas beneficia, os grupos económicos e financeiros;
– Não faz qualquer menção ao povo palestiniano nos considerandos e no articulado, optando, incompreensivelmente, por não explicitar quem é a vítima do genocídio levado a cabo por Israel;
– Não denuncia a hipocrisia da Comissão Europeia em relação à defesa dos direitos humanos e do direito internacional, que é chocantemente exposta na sua postura face ao genocídio do povo palestiniano e ao brutal desrespeito dos seus direitos.
Trata-se de questões que não devem ser omitidas numa moção de censura. No entanto, face à necessidade de assegurar as 72 assinaturas exigidas no Parlamento Europeu para a entrega de uma moção de censura à Comissão Europeia, João Oliveira, deputado do PCP no PE, além de considerar o voto favorável, subscreveu esta moção.
Como sublinhámos no momento da votação da moção de censura no dia 10 de Julho, a situação na União Europeia assume uma particular gravidade em consequência da insistência na sua política ao serviço dos interesses dos grupos económicos e financeiros e das grandes potências e de promoção da confrontação e da guerra no plano internacional, à custa dos direitos e das condições de vida dos trabalhadores e dos povos, assim como da paz e da cooperação.
A Comissão Europeia merece censura pela chocante e inaceitável cumplicidade com o genocídio do povo palestiniano e a criminosa política de ocupação e agressão impunemente levada a cabo por Israel na Palestina e no Médio Oriente, revelando uma profunda hipocrisia com a ausência de uma qualquer acção efectiva da União Europeia para que Israel ponha termo aos massacres, ao cruel bloqueio à Faixa de Gaza, à ocupação ilegal de territórios palestinianos, à violação do direito internacional.
A Comissão Europeia merece censura pela sua política de ataque a direitos sociais e laborais, de pressão sobre os salários e pensões, de ataque aos serviços públicos de saúde, de educação, de segurança social; pela sua política de promoção de processos de liberalização e de privatização; pelo seu comprometimento com políticas responsáveis pelo agravamento dos custos da habitação e, em geral, pelo aumento do custo de vida.
A Comissão Europeia merece censura pela sua política de fomento da escalada armamentista e do aumento das despesas militares, submetendo-se aos ditames dos EUA e da NATO. Política que constitui uma acrescida ameaça à paz e à segurança e que desvia para o militarismo e a guerra milhares de milhões de euros que são necessários à resolução dos problemas e melhoria das condições de vida dos trabalhadores e dos povos.
Uma Comissão Europeia que convive bem com a extrema-direita, seja no âmbito da União Europeia, seja no plano internacional, com a qual partilha as políticas neoliberais, militaristas, de retrocesso de direitos e liberdades – veja-se, entre outros, o exemplo do Governo de Meloni, em Itália. As razões da nossa censura à Comissão Europeia distinguem-se claramente e não podem ser, por isso, confundidas com as de sectores da extrema-direita que, partilhando no fundamental as políticas neoliberais, militaristas, de retrocesso de direitos e liberdades da União Europeia, e que a Comissão Europeia promove, dela demagógica e oportunisticamente fingem distanciar-se.
A censura à Comissão Europeia significa a rejeição do seu programa e objectivos políticos, que igualmente expressámos no voto contra a sua eleição, em Novembro de 2024.
Os povos precisam de melhores salários e pensões, de acesso à saúde, à educação, à protecção social, à habitação, de resposta aos problemas ambientais, de economias orientadas para a melhoria das suas condições de vida, de paz e cooperação.
Afirmando as políticas que servem os direitos, interesses e aspirações dos trabalhadores e dos povos, não abdicamos de todas as oportunidades para expressar a rejeição das políticas da União Europeia, e que a Comissão Europeia promove, nem prescindimos, como até aqui de afirmar o caminho alternativo que urge ao povo português, numa Europa, de paz, de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos e de progresso social.»




